Opinião

O craque, afinal, era outro

O craque, afinal, era outro

A candura com o que o secretário-geral do PSD, José Silvano, explicou, na entrevista concedida no domingo passado ao JN, a trapalhada política a que assistimos em Vila Nova de Gaia chega a ser tocante, quase comovente.

O problema, esclareceu o braço-direito de Rui Rio, não foram as longas noites gastas pela Concelhia gaiense a afiar as facas que haveriam de ser cravadas nas costas de António Oliveira. O problema foi, isso sim, a falta de "resiliência" do ex-selecionador nacional.

A explicação de Silvano merece tradução.

Desde que Rio anunciou António Oliveira como candidato à maior Autarquia do país acima do Tejo, a Concelhia sacou de todo o arsenal que tinha à disposição para chumbar o ex-futebolista. Parece que Oliveira não apreciou o gesto bélico. Como não precisa da política para nada, afastou-se. Nobre atitude, digo eu.

Com o ex-craque da bola expulso do jogo, havia que proceder a uma rápida substituição. Até porque, como confessou o cândido Silvano, já não havia tempo para "encontrar alguém credível fora do sistema que se queira meter nisto". Não se percebe o desespero do secretário-geral do PSD. Porque a um craque da bola sucedeu um craque da política.

Vejamos.

Cancela Moura, o substituto, que por acaso é o líder da Concelhia que desde cedo abominou Oliveira, é especialista em Desporto, Educação, Ação Social, Turismo, Parques Industriais e Atividades Económicas, Recursos Humanos, Administração Geral, Património, Expropriações e Promoção do Desenvolvimento. Isto e muito, muito mais consta do CV do agora candidato à Câmara de Gaia disponível na Internet. Um verdadeiro craque, portanto.

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O facto de ter levado uma abada, para manter a gíria futebolística, quando, em 2017, se candidatou à liderança da Autarquia (recolheu 20% dos votos), e a circunstância de ser segunda escolha e de ter criado mais um problema bicudo a Rui Rio são, no caso, pormenores sem interesse que, seguramente, passarão ao lado do eleitorado gaiense.

Ah, se a coisa correr mal (e não se vê, francamente, porque há de correr), Cancela Moura pode sempre continuar a dirigir o "Povo Livre", o jornal oficial do PSD. Consta que também nisso é craque.

Jornalista

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