Opinião

O Rui vai nu

O F. C. Porto, de que sou fervoroso adepto, acabara de conquistar o 30.º título de campeão nacional de futebol e, na noite de domingo passado, eis que Rui Santos, exegeta da bola, se atira bravamente às canelas do dragão na TV, com a mesma força e determinação com que um forcado enfrenta a potência do touro.

Que, pronto, o FCP venceu os rivais, mas, atenção, "o rei vai nu", exclamou. Anda nua Sua Majestade vai para 40 anos, tantos quantos Pinto da Costa leva de presidência do FCP. Para bom entendedor... Despido de inteligência anda Rui Costa, o presidente do Benfica, incapaz de se distanciar da encarnação do mal na terra (leia-se, Pinto da Costa). Sabido é o ataviado Francisco Varandas, presidente do Sporting, trauliteiro vocal que traz sempre enxofre no bolso e balas de prata no coldre, não vá o belzebu azul e branco aparecer. Hans Christian Andersen, o escritor dinamarquês que nos legou a maravilhosa estória infantil "O rei vai nu", andou por Portugal. O essencial do conto: dois aldrabões convenceram um tonto rei de que lhe tinham tecido umas vestes que só os inteligentes conseguiriam ver. O soberano fez-se passear pelas ruas em ceroulas, perante súbditos ingénuos e temerosos, incapazes de lhe mostrar a verdade. A inocência de uma criança desfez a vergonha: "O rei vai nu!", atirou o inocente petiz. Se tivesse conhecido Rui Santos, Hans poderia mudar o título da estória para "O Rui vai nu". Rui tem a vaidade do monarca - e, por isso, enfia-se no ridículo num instante. São gostos - e os gostos não se discutem. Sucede, contudo, que o povo, vista a cor que vestir, já não idolatra reis. Quer dizer: não é estúpido. Vê mais depressa o Rui em ceroulas do que ele, na sua infinita pesporrência, pensa.

*Jornalista

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