Opinião

PS-Porto: uma tragédia em três atos

PS-Porto: uma tragédia em três atos

Ato I: O secretário-geral do Partido Socialista, António Costa, acha que, nas próximas eleições autárquicas, o Porto não conta para as contas. Quer dizer: assumiu que a derrota é certa - e, vai daí, decidiu nada decidir, levantou o tapete, pegou na vassoura e, com jeitinho, arrumou o incómodo.

Calhou a fava a Eduardo Pinheiro, chamado a dar o peito às balas sem colete de proteção. Azar: o tiro saiu-lhe pela culatra. Um dia depois de dizer que sim, o atual secretário de Estado da Mobilidade disse que não: e o PS ficou sem candidato à Câmara do Porto. Isto, que é triste, costuma acontecer nos pequenos partidos, cuja dimensão permite disparates a que ninguém dá real importância. Suceder no PS e na segunda maior cidade do país é, como dizer?, absolutamente lamentável.

Ato II

À hora a que escrevo ainda não se conhece o sucessor de Eduardo Pinheiro. Interessa pouco para a análise. O corajoso que vier a seguir é, politicamente, um nado-morto, por muito mérito e extenso currículo que tenha para apresentar ao eleitorado. O que se segue é bastante previsível: longos dias de facas afiadas, notícias plantadas e desculpas esfarrapadas. Um espetáculo recomendável, para quem gosta de circo. Um espetáculo assaz desagradável, para os eleitores do Porto que, votando ou não nos socialistas, se habituaram a ver no PS um partido com suficiente força eleitoral para, a partir da cidade, protagonizar os desafios e destinos da área metropolitana e da região.

Ato III

Colocar nomes nesta barafunda serve apenas para salgar a ferida, coisa que pouco interessa para o futuro da cidade. À cidade, à região e ao país interessa, isso sim, resgatar o PS desta amálgama de equívocos e desvarios que dilaceram ainda mais a relação com o eleitorado portuense. Para que tal aconteça, esta tragédia só admite um fim: a demissão dos responsáveis da Concelhia e da Distrital do PS-Porto.

Antes de fechar o pano.

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Há muitos anos, um consagrado ministro socialista dizia sobre as reclamações que lhe chegavam dos autarcas do Norte: prometendo tudo a todos, eles desentendem-se num instante e ficou tudo na mesma. António Costa aprendeu a lição do seu colega de Governo. O resultado está à vista.

*Jornalista

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