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Opinião

Ilações das eleições

Ilações das eleições

Os resultados das eleições europeias do passado domingo permitem algumas ilações.

Os três partidos vencedores - e que devem ser por isso felicitados - foram o PAN, o BE e o PS, por esta ordem. O PS é o único vencedor no sentido de ter sido o partido mais votado e com mais mandatos, mas os três partidos referidos atingiram os objetivos a que se tinham proposto.

A comparação com os resultados anteriores e com as expectativas existentes mostra, porém, que estas foram excedidas quanto ao PAN e ao BE, que atingem ambos resultados históricos, ao passo que o PS sobe pouco relativamente às eleições europeias anteriores. Com este resultado - caso estas eleições fossem um indicador para eleições nacionais -, o objetivo de uma maioria absoluta estaria definitivamente afastado e seria obrigado a fazer um acordo com o BE e com o PAN.

Foram derrotados o PSD, o CDS e o PCP - embora aqui a ordem já não deva ser esta, sobretudo comparando com os resultados das eleições anteriores e com o contexto em que as eleições foram disputadas.

O PCP perdeu um dos seus deputados europeus, perdeu votos, e, sobretudo, parece ter dificuldades em zonas urbanas, em que é claramente ultrapassado pelo BE. O apoio ao Governo do PS e a ambiguidade de querer estar fora e dentro (não retirando o apoio) têm os seus custos eleitorais.

O CDS sofreu uma derrota clara, com redução de votação e diminuição em relação à percentagem (que lhe era atribuível) nas eleições anteriores, e vê claramente desfeito o seu devaneio de afirmação como partido que pudesse liderar uma solução alternativa ao espaço socialista e comunista.

O PSD ficou a grande distância do seu adversário direto, o PS, e não atingiu os seus objetivos. Obteve a pior percentagem em eleições europeias em que concorreu sozinho - mas não o seu pior resultado histórico, pois há cinco anos teve 27% em coligação com o CDS, e desses com certeza que não mais de 20% lhe seriam atribuíveis. Mas manteve a representação que tinha no Parlamento Europeu, e não desceu em relação às eleições anteriores. Aliás, disputou num contexto difícil estas eleições, em que foi objeto de ameaças existenciais (resultantes da fundação de um partido que se pretendia rival, por um ex-líder, ex-primeiro-ministro e ex-candidato à liderança, e de tentativas de ultrapassagem pelo CDS), que superou claramente, e depois de um longo período de criação de instabilidade interna.

De positivo, destaca-se sobretudo a derrota dos discursos demagógicos e populistas. E os resultados impõem também a ilação de que o eleitorado não quer agressivas e histriónicas campanhas de casos, pessoais ou políticos. Querem protagonistas e discursos serenos dirigidos aos reais problemas que os preocupam, nos serviços públicos, na sustentabilidade e crescimento da economia e em novas e relevantes agendas, que devem ser convictamente perfilhadas pelos partidos centrais, como a proteção do ambiente, o combate às alterações climáticas ou a proteção dos animais. E querem, também, disponibilidade e abertura para entendimentos para soluções políticas dirigidas a resolver essas preocupações.

Professor universitário