Opinião

O candidato escondido

Há boas razões para que o cabeça de lista do PS às eleições europeias seja posto num canto em reuniões ou a passear por feiras do interior, remetido para papel secundário pela estratégia do verdadeiro candidato, António Costa.

É que é nos temas europeus que são mais visíveis as contradições intrínsecas da fórmula de que o PS depende para governar: os seus sócios de extrema-esquerda são contra o euro, são contra a estabilidade e o tratado orçamental, são contra as políticas de incentivo à produtividade, são contra a política de defesa e a NATO, são apoiantes das piores ditaduras ainda subsistentes no Mundo (como a Coreia do Norte e a Venezuela); são, em suma, contra tudo aquilo que garante os valores e a forma de vida europeia, contra tudo aquilo que a Europa representa em termos de progresso.

Para além disso, o passado governativo do candidato escondido chama a atenção para o pior das opções, também elas camufladas, da governação socialista: a falta de investimento, a degradação insuportável dos serviços públicos devido às cativações, para exibir aparente folga na política de rendimentos, na verdade ilusória e logo esvaziada pelo aumento da carga fiscal (designadamente nos impostos indiretos, como sobre o combustível).

Foi por tudo isto que, enquanto ministro, o (já secretamente) candidato exibia números consabidamente errados sobre obras e execução dos fundos europeus. Mas não conseguiu disfarçar o colapso dos serviços sob sua responsabilidade, como é bem visível nos transportes em todo o país (e em particular na região de Lisboa), deixando aflito com essa herança até o membro do Governo que lhe sucedeu.

E é também por tudo isto que a opção no próximo domingo é clara: votar numa lista de verdadeiros candidatos, com experiência, empenho e influência numa agenda europeia; ou votar num grupo de ex-membros do Governo remetidos para a Europa para protagonizar candidaturas simuladas - em que até o chefe do Governo diz que ele é que é o candidato, porque as eleições afinal são nacionais.

Mas se é, a escolha é também simples: quem pretende apoiar o ilusionismo e a insustentabilidade económica (que já deu provas no passado), quem está satisfeito com o estado do Serviço Nacional de Saúde, das esperas para o cartão de cidadão, para a pensão de reforma e até para exames oncológicos, pode votar no candidato escondido; quem está preocupado com a situação e quer mais ambição, políticas sustentáveis e que assegurem um futuro melhor para todos, e eleger candidatos verdadeiros, experientes mas jovens para representar Portugal na Europa, e integrados no maior grupo político europeu, tem ao dispor uma, e só uma, alternativa clara.

*Professor universitário