Esfera pública

Os resultados eleitorais

Os resultados eleitorais

As eleições do passado domingo foram ganhas pelo Partido Socialista, que deve por isso ser felicitado. Uma análise global dos resultados eleitorais tem, porém, de ir mais fundo.

Em primeiro lugar, a abstenção aumentou, o que mostra que os portugueses não se sentiram motivados a ir votar, nem para apoiar nem para sancionar o Governo.

Depois, é claro que o PS, que lutava por uma maioria absoluta ou por um resultado próximo dos 40%, ficou bastante pior do que o esperado. Não se encontra desde o 25 de Abril um partido que lidere um Governo numa legislatura de bonança económica que tenha tido percentagem tão baixa (menos de 37%).

Os outros dois partidos da "geringonça" perderam em votos e em percentagem em relação a 2015. O apoio a esta solução não parece ter compensado.

Ao Centro, o PSD, apesar de ter perdido as eleições, fez bastante melhor do que se esperava ainda no início de setembro, com uma recuperação notável, em grande parte devida à prestação do seu líder. Além disso, foi sufragado sobretudo por votantes mais jovens e com maior instrução, provavelmente por reconhecerem a inviabilidade das políticas centradas no Estado que a "geringonça" propõe, em contraponto ao programa proposto pelo PSD. Com este resultado e prestação, se quiser, Rui Rio tem manifestamente condições para continuar a liderar o PSD.

O CDS, por sua vez, afundou-se, numa prova (que já tínhamos tido nas eleições europeias) de que o discurso agressivo e sem conteúdo não compensa eleitoralmente. De registar também a votação do PAN e a entrada de três novos partidos no Parlamento.

Com estes resultados, existirá um novo Governo do PS apoiado por forças de Esquerda. Mas parece claro que tal solução não terá condições para definir e executar políticas que fomentem o crescimento, melhores salários e empregos, seguidas pelos nossos concorrentes europeus (que nos têm ultrapassado), com bons resultados. E a própria condução da presente legislatura até ao seu termo constitui hoje uma interrogação legítima.

*Professor universitário