Opinião

As vacinas e os políticos

As vacinas e os políticos

Deixem-me começar pelo fim: não aceitei qualquer tipo de prioridade de vacinação apenas baseada na minha qualidade de deputado. Mas isto começa tudo mal.

Começa muito mal o Governo ao não cumprir, nem com o número de vacinas prometidas, nem com os prazos definidos e continua muito mal o Governo e autoridades de saúde quando não apresentam o necessário conjunto de regras de prioridade que sejam claras, acessíveis e compreensíveis por toda a gente.

Quando a teoria não é clara, a prática não pode ser eficaz e começaram as dúvidas, as regras casuísticas e as exceções incompreensíveis, a par da "esperteza saloia".

Como se não bastasse o escandaloso egoísmo ou amiguismo nos mais diversos cargos (técnicos e políticos), que redundou em vacinação a não prioritários, a que se junta a novela da vacinação dos órgãos de soberania, certo é que, neste momento, Portugal é dos países mais atrasados no processo de vacinação. Este atraso tem rostos e responsáveis políticos e não são os da Oposição, com certeza.

Mas, afinal, quais deveriam ser os critérios de vacinação que qualquer cidadão de bom senso determinaria? Os critérios deveriam ser quatro: representação, necessidade, saúde e idade.

É na "representação" que se devem enquadrar as três funções de soberania (legislativa, executiva e judicial).

Mas, não são essenciais todos os membros dos órgãos de soberania. Não deve ser todo o Governo, todos os juízes (ou procuradores) ou todos os deputados. Nenhum desses cargos é insubstituível e, especialmente nos tribunais e no Parlamento, o número deveria ser muito limitado, apenas para garantir o funcionamento do órgão em causa, com os seus responsáveis máximos.

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Mas, para estes "essenciais" - em que não me incluo, apesar de constar da lista inicial de prioridade como presidente de uma comissão parlamentar -, a questão não deve ser de "direito à vacina", mas sim o "dever de se deixar vacinar", para não ameaçar, com a sua ausência, a ação do órgão que integram. Os outros podem esperar. Entretanto, pelo meio dos pingos desta chuva vai passando António Costa. Como sempre.

*Deputado do PSD

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