Opinião

Cultura em DesGraça

Não aprecio especialmente o debate político centrado em pessoas ou protagonistas. Prefiro falar de ideias, estratégias e responsabilidades políticas. Mas a ministra da Cultura, Graça Fonseca, está hoje no centro da tragédia cultural em Portugal. Não é a solução nem sequer parte do problema. Não. A ministra da Cultura é hoje O Maior Problema que enfrenta o setor da Cultura. Por culpa própria e de quem a nomeou sem tino.

À boa moda socialista, tudo começou em beleza. Em 2014, o candidato António Costa prometia um "Ministério próprio" para a Cultura e, já primeiro-ministro, aproveitou o discurso de posse para anunciar a promessa de "colocar a Cultura no centro das políticas do novo Governo".

Costa falhou nas promessas e falhou nas escolhas, começando em João Soares e acabando em Graça Fonseca.

De "erro em erro" e de "trapalhada em trapalhada", Graça Fonseca herda, em 2019, um Ministério em descrédito, aliás, tutelado por si no mandato anterior! Com a mesma política e a mesma ministra, esperavam o quê? Mais do mesmo...

Como se não bastasse o divórcio público, evidente e crescente entre a ministra e os agentes do setor, abateu-se sobre a Cultura a covid-19 e a tragédia - sim, tragédia! - ficou especialmente visível.

As medidas ditas "urgentes" tardaram a chegar e, algumas, ainda hoje não foram cumpridas! E a coerência entre medidas? Inexistente.

Uma "linha de Emergência para o Setor" teve direito a 1,7 milhões de euros, mas para a comunicação social adiantaram (minto!, prometeram, mas nem isso cumpriram) 15 milhões.

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As condições a que obrigam os beneficiários - veja-se o caso de muito editores e livrarias - deixam de fora boa parte dos destinatários, que engrossam a tragédia, mas ficam abaixo do radar da estatística.

E a ainda ministra? Passa por cima das críticas ou reparos com a soberba e a postura de impaciência contida que adota quando o PSD ou a imprensa a interpelam.

O episódio do "drink" (no qual fugiu a responder à tragédia vivida na Cultura convidando os jornalistas para um "drink de fim de tarde") seria um momento menos feliz em qualquer outro político. Mas, no caso de Graça Fonseca, não é lapso, é estilo, é "a imagem de marca" da ministra.

Entretanto, assistimos a ajuda alimentar de emergência aos artistas e agentes do setor, na resposta solidária que enobrece quem a pratica, mas que deveria sempre ser assumida pelo Estado e pela tutela.

Enfim, quem se iludiu, já se desiludiu, mas a ministra continua e o primeiro-ministro gosta. Até quando?

*Deputado do PSD

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