Opinião

Geringonças de Esquerda e geringonças de Centro/Direita

Geringonças de Esquerda e geringonças de Centro/Direita

No momento em que o tema "geringonça" domina o espaço público e político, pergunto: porque é que uma geringonça de Esquerda é "fixe" e plural e já a de Centro/Direita seria contranatura e sacrilégio indesejável?

Vamos a factos, perguntas e perplexidades.

Portugal foi dominado nos últimos anos por governos com apoio parlamentar multipartidário. Foi assim com o Governo PSD/CDS como, mais recentemente, com o "acordo escrito" (e, em segundo mandato, "não escrito") do PS aliado a BE/PCP/PEV.

Parece bastante razoável concluir que, só em circunstâncias muito, mas muito particulares, teremos (para o bem e para o mal) governos de partido e suporte parlamentar únicos.

De maneira mais clara: não se prevê que PS ou PSD possam chegar ao poder sozinhos nos próximos anos. E daqui temos de retirar conclusões e consequências.

O Governo que nos governa teve e tem múltiplas e nefastas influências dos setores mais radicais da Esquerda, que vão desde o "experimentalismo social e de género" nas escolas, até à defesa da nacionalização da Banca ou da TAP, sem esquecer o fim absoluto das PPP ou a contestação à nossa participação na União Europeia. Enfim, do PS mais moderado, às franjas mais "cegas" do BE e PCP, tudo cabe no balde da geringonça e ninguém parece ficar perturbado com o "albergue espanhol" que isto significa. Até chamam ao primeiro-ministro um "político pragmático" (e acham que é elogio...).

E como pode/deve o PSD, como partido liderante do Centro/Direita responder? Orgulhosamente só ou a federar pessoas, projetos, partidos e grupos de independentes que possam construir a alternativa?

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Na minha opinião (só minha) o PSD tem de ter "jogo de cintura" e "coluna vertebral". Sem abdicar dos valores e princípios fundadores deste partido social-democrata na sua génese, impõe-se ouvir e agregar o crescente clamor que se opõe ao Governo socialista, que se inclina e ajoelha cada vez perante a Esquerda radical (e o futuro próximo assim o aponta e reforça).

E este diálogo não deve excluir ninguém, nem o CHEGA! Com certeza que a tal "coluna vertebral" do PSD "filtraria" sempre as propostas de cariz mais radical ou de ofensa ao sistema democrático. Creio que o CHEGA! É um partido na puberdade, com as oscilações de humor e maturidade próprios da adolescência, mas que, na idade mais adulta, poderá ser um parceiro do arco democrático a considerar na construção da alternativa ao socialismo.

Oxalá o tempo me venha a dar razão.

Deputado do PSD

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