Opinião

2019: Balanço ou propaganda?

2019: Balanço ou propaganda?

Entramos em 2019 e entra na reta final o Governo da geringonça das esquerdas. O poder, perdido em 2015 nas urnas e recuperado (pilhado? ) em coligação negativa no parlamento, aguentou-se.

Foram três anos pautados por poucos princípios e muita propaganda. Num autêntica quadratura do círculo, o Governo viveu entre "reversões" (mais feitas de retaliação e desforra do Governo anterior, que de coerência ou convicção) e o argumento estafado do "virar de página".

E, afinal, o tal Governo de Esquerda, que ia apontar "outro caminho" (caminho de Esquerda, presume-se), foi o campeão das cativações (uma flagrante traição de todos os números, projeções e opções políticas contidas no Orçamento do Estado) e da falta de investimento público. Nem no tempo da troika se investiu tão pouco em Portugal! Prometeram virar a página, mas reforçaram a austeridade, agora disfarçada de impostos indiretos e taxas várias.

Esta opção cosmética, de varrer para debaixo do Orçamento as más notícias, foi acompanhada de reposição de alguns rendimentos, baixa de desemprego e "poucochinho" de crescimento económico. Mas, estes indicadores não vinham a evoluir nesse mesmo sentido em 2015, no Governo anterior? ...

Além disso, esta equação manhosa, de menos investimento e mais cativações, teve outros dramáticos efeitos: rutura de serviços públicos básicos, abandalhamento das funções de soberania e explosão de contestação social e profissional (alguém se lembra de tantas e tão indignadas greves e manifestações?). E o PCP e o BE? Sempre ruidosos no palco público, mas açaimados nos orçamentos, que votaram mansamente, um atrás do outro.

E, agora, que entramos em tempo de avaliação e balanço do que foi esta governação, o que temos? Prestação de contas, cotejo de promessas e do programa de Governo? Nada disso! Em 2019 continuamos a ter promessas, projeções, enfim, propaganda!

Depois de três anos a "empurrar com a barriga", a enganar e a prometer, o Governo entra no último ano de mandato a "empurrar com a barriga", a enganar e a prometer.

Caos na saúde, caos nos transportes, caos nas escolas, caos nos tribunais, caos na proteção civil, nas prisões, nos serviços de estrangeiros e fronteiras, nos programas e fundos comunitários e mais e mais. Otimismo? Já só temos o do primeiro-ministro.

* Deputado do PSD