Opinião

PSD, é hora de agir

A escolha entre Rui Rio e Pedro Santana Lopes não é uma escolha indiferente. Esta escolha, embora reservada a militantes do PSD, é muito mais do que uma "questão interna", pois implica, contém e convoca à reflexão sobre o futuro próximo do país.

Sendo o PSD o partido mais votado das últimas eleições legislativas e com um histórico democrático inigualável, pode e deve assumir-se como "um partido de poder". Aliás, com algum orgulho nostálgico, o PSD sempre se reclamou como "o partido mais português de Portugal", fosse pela capacidade de melhor entender e representar o povo português fosse, em especial, por ser fortemente interclassista e abranger grandes setores da sociedade, que vão dos trabalhadores por conta de outrem aos pequenos e médios empresários, de pequena burguesia aos movimentos mais reformistas.

Explicado o fundamento da expressão "PSD, partido de poder", temos então como consequência lógica que, qualquer dos seus líderes tem de se preparar (e estar preparado) para ser primeiro-ministro. Dito de outra forma, é de elementar prudência olhar a eleição do próximo líder do PSD (também) como uma (primeira) escolha do próximo primeiro-ministro.

E, se em 13 de janeiro, a escolha do próximo presidente do PSD depende somente dos militantes do partido, certo é que a escolha do próximo primeiro-ministro depende dos eleitores e esta é que deve ser a questão fulcral para o PSD e para os votantes de janeiro próximo.

A nossa história como partido comprova que, sempre que descolamos da nossa base social de apoio, sempre que perdemos a capacidade de "ler" a vontade profunda dos portugueses, ficamos mais longe de os representar, no Governo e nas autarquias.

E, sob pena de o PSD ficar orgulhosamente só, preso a convicções que alienam (em todos os sentidos da palavra) a nossa ligação aos eleitores, as escolhas dos militantes vão aproximar ou afastar o PSD dos portugueses. Alguém tem dúvidas disso?

Colocada a questão de forma clara, creio poder afirmar, com a convicção das sondagens e do quotidiano que - sem prejuízo das qualidades de ambos os candidatos e da legitimidade de ambas as candidaturas - as características de personalidade e o currículo político de Rui Rio são, claramente, os que melhor encontram eco junto dos portugueses.

Antes de mais e com algum desgosto pessoal, vejo a política e os políticos objeto de crescentes ataques, alguns justos e outros "nem por isso", a que se junta uma espécie de "linchamento popular" que ninguém poupa, ninguém distingue e arrasta pessoas, instituições e órgãos de soberania. A juntar a estes ataques - de que, não raras vezes, os políticos são os primeiros e últimos responsáveis pois "quem não se dá ao respeito, não é respeitado" - ainda temos os ataques de caráter, mais graves, que salpicam cidadãos e suas famílias, quantas vezes sem rigor e sem fundamento.

Se juntarmos a este "caldo de cultura" a falta de clareza e eficácia com que a classe política comunica com os cidadãos (onde, por exemplo, se impõe a total revisão do funcionamento da Assembleia da República...), começa a ficar evidente o motivo por que Rui Rio é quem melhor "responde" ou representa o líder que muitos procuram ou anseiam.

Na sua longa carreira política, Rui Rio é portador de algumas das características de personalidade mais apreciadas nos tempos atuais. É um cidadão honrado e destacado servidor da causa pública à qual deu mais de 20 anos da sua vida adulta. É coerente no pensamento e consequente nas opções (assume compromissos e cumpre mandatos... até ao fim). É claro no discurso e contido nas palavras, dá primazia ao poder político sobre outros poderes e é insensível a pressões ou condicionamentos, legítimos ou ilegítimos. Tem projeto, tem vontade e "não deve nada a ninguém".

Ora, parecendo pouco, apetece perguntar quantos existem, no PSD ou noutros partidos, que preencham de forma evidente este perfil, começando desde já pelo atual primeiro-ministro.

O ano de 2018 tem tudo para ser um ano de mudança e relançamento do PSD, ao encontro de Portugal e dos portugueses. Por agora, essa enorme responsabilidade está na mão dos militantes e oxalá todos percebam que... é hora de agir.

DEPUTADO DO PSD