Opinião

Costa e o "spin"

Na passada semana, Portugal assistiu a uma eficaz (mas lamentável) operação de comunicação política promovida pelo primeiro-ministro António Costa e pelo Partido Socialista.

Foi bem pensada, melhor executada e teve o efeito pretendido. Mas continua a ser lamentável. E foi lamentável por dois motivos: por um lado, confirmou que, para Costa, quando em dificuldade, vale tudo (o Governo de Portugal pareceu o quarto de brinquedos do António) e, por outro lado, porque esta aparente "vitória" se baseia num embuste. Sim, num embuste.

Alguém consegue afirmar que António Costa foi sério, muito responsável, colocou o interesse nacional acima de tudo, não foi movido pelo mero interesse socialista e esta atitude nada teve que ver com eleições e sondagens negativas? Mesmo?

E, mais curioso, é que todos se referem a esta "vitória" como uma "grande jogada" de Costa; foi espertalhaço, dramatizou, foi oportunista, fez "bom teatro" etc. etc.. Mas são estas as qualidades (!?) que queremos ver refletidas nos nossos governantes?

Nesta data, começa a ser evidente que a "estória" dos 800 milhões é mentira, que as contas do Governo são um embuste e que, quem - antes de todos os outros partidos - prometeu aos professores a reposição dos "9A4M2D",foi o próprio PS e o Governo em 2017 e 2018...

Mas vamos ao PSD. Desde sempre e sobre este tema, defendeu duas ideias base: a solução encontrada para os professores teria de respeitar o princípio da igualdade com as outras carreiras especiais e não poderia colocar em causa o equilíbrio das contas públicas.

Por isso mesmo, o PSD propôs na Comissão de Educação normas que garantiriam o desejado equilíbrio das contas públicas que, espantosamente, foram chumbadas pelo PS. Sim, esse PS de António Costa.

No domingo, nas televisões, Rui Rio explicou detalhadamente a (já antiga) posição do PSD sobre o tema. Explicou ademais a forma pouco séria como António Costa criou esta crise política.

Mas, em política (tantas vezes), a "moldura é mais importante que o quadro", a forma e o timing da comunicação são mais importantes do que a substância e conteúdo do que se transmite.

E, no domingo, para comentadores e "paineleiros", era já tarde para corrigir as sentenças que tinham dado na sexta e sábado. A "verdade oficial" estava escrita.

Ganhou o "spin" da comunicação, ganhou a melhor "narrativa", ganhou o "espertalhaço". Como diria José Sócrates: "porreiro, pá!". Mas perdeu a Verdade.

Costa foi Costa e Rio foi Rio. E os portugueses sabem bem qual é a diferença.

* DEPUTADO DO PSD