Opinião

Dilema moral

Portugal viveu os últimos dez anos numa vertigem de factos, notícias e narrativas.

Tudo se precipita a partir de 2008 e logo no momento em que tínhamos nas rédeas do poder o Governo mais delirante e perigoso da nossa história democrática.

De mentira em mentira, de promessa em promessa, de narrativa em narrativa, chegamos a 2011, com os credores externos - chamados em desespero por José Sócrates - a ditar ordens e condicionar decisões que deveriam pertencer à nossa exclusiva soberania.

O Governo patriótico (e não de Esquerda) liderado pelo PSD entre 2011 e 2015, teve muitos méritos que a história julgará, dos quais destaco um, enorme: falou verdade aos portugueses!

Com angústia, assistimos ao "enorme aumento de impostos" ou ao corte dos subsídios de férias e Natal. Sem mentiras e sem desculpas, a verdade.

Foram tempos duríssimos, com sacrifícios duríssimos, assumidos pelo Governo e suportados pelos portugueses, tudo para resgatar o país deixado pelos socialistas em 2011.

Sejamos claros: o Portugal que o Governo liderado pelo PSD deixou em 2015, foi incomparavelmente melhor do que herdou dos socialistas em 2011. Alguém nega?

Em 2015, da forma que todos sabemos, o PS "acedeu" ao poder. Assim, aproximamo-nos do fim de quatro anos de mandato e começa a ser tempo de balanço.

E é ao chegar a este momento que nos deparamos com dois comportamentos (estratégias?) do atual Governo, que merecem repúdio e denúncia pública.

Por um lado, continua, ao fim de quatro anos, a encontrar no PSD a fonte de tudo o que corre mal. Sim, sem obra para mostrar e com os índices económicos em queda, o PS olha em volta à procura de uma desculpa (mesmo que gasta) e exclama: culpa do PSD.

Mas, mais grave, quiçá por herança do Governo de Sócrates (de onde derivam muitos dos atuais governantes) o Governo lida muito mal com a verdade.

Toda a comunicação do Governo é feita de meias-verdades (que são meias-mentiras), recuperando e aperfeiçoando a narrativa delirante que nos conduziu à desgraça.

Mas os portugueses têm o direito a ter um Governo que lhes fale verdade e não os iluda, até ser tarde demais, como aconteceu em 2011.

A cada dia que passa, fica mais claro que a verdade a que temos direito nos está a ser negada ou disfarçada e esse é o grave erro que o PS pagará no momento próprio.

O que separa Rui Rio de António Costa é hoje um mar enorme, onde a verdade e a credibilidade marcam crescente diferença e distanciamento.

Deputado do PSD