Opinião

PAN demónio?

O resultado eleitoral do PAN (Partido das Pessoas, dos Animais e da Natureza) nas recentes eleições para o PE (Parlamento Europeu) é uma surpresa anunciada, que obriga a reflexão e explicação.

Comecemos pelo princípio. O que é o PAN? Poucos sabem...... Duvido que muitos portugueses saibam, sequer, o que significam as iniciais "P" A" ou "N" ou conheçam algo mais do que uma ideia genérica, do tipo "partido que defende os animais".

Mas, facto é que, cresceu e ameaça continuar a crescer. Mérito próprio ou demérito alheio? Creio que ambos. O PAN começou por conseguir a proeza de se transformar num depositário de todos os "votos de protesto" de eleitores descontentes. Mais do que isso, passou o ser o destino dos votos "antipartidos" ou "antissistema" (como se o PAN não fosse um partido integrado no "sistema"......).

Mais do que adesão às propostas, iniciativas ou valores do PAN (com exceção da "defesa", por vezes disparatada, dos animais), os portugueses aproveitam este "voto de refúgio" para dizer que não encontram nos partidos existentes resposta para os seus anseios e expectativas.

E o PAN aproveita, cavalgando (salvo seja) a onda, com propostas "novas" (mesmo que populistas ou de apelo aos instintos mais básicos dos cidadãos), tudo embrulhado no estilo sereno (mesmo que assertivo) do seu líder, cujo mandato parlamentar acompanho diariamente.

A juntar a este desempenho, o partido de André Silva começa a aparecer como resposta à ausência de uma agenda clara dos demais partidos sobre ambiente e alterações climáticas e o PAN pode dar-se ao luxo de centrar a sua intervenção na nova "agenda verde", que atrai muitos, em especial os jovens.

E, mais grave, é que os jovens eleitores não estão interessados por política e por políticos, por serviço público ou pela Europa, por querelas ideológicas ou programáticas e o discurso do PAN, sendo simples, básico e modern(aç)o - pois, além do mais, corresponde aos temas que nas escolas são os mais abordados e debatidos - é mais apelativo para a "geração Z" e para os nativos digitais.

Mas, estou crente, o PAN cedo ou tarde vai perder a genuinidade monotemática e deixar-se seduzir pelas dinâmicas e "modus operandi" dos demais partidos: em vez de "partido de causas", vai querer (se puder...) ser também "partido de poder".

O que resta ao meu PSD? Juntar personalidades e projetos (que existem), numa agenda de propostas claras e de futuro, como seja a agricultura urbana, o aproveitamento do nosso mar ou a mobilidade mais ecológica.

* DEPUTADO DO PSD