Opinião

O "poucochinho" do cinema e audiovisual

O "poucochinho" do cinema e audiovisual

Se quisermos quantificar os méritos do chamado "cinema português" em públicos e audiências, temos de concluir que estamos muitos furos abaixo da média europeia.

Este simples facto deveria confrontar os agentes do setor e os decisores políticos, em especial o Governo, mas parece que o Ministério da Cultura está à deriva, nestes e noutros setores fundamentais para o presente e futuro da Cultura em Portugal.

O nosso cinema vive, há tempo demais, debaixo do "chapéu protetor" do ICA (Instituto do Cinema e Audiovisual), onde os apoios e os investimentos são, quase sempre, "dos mesmos para os mesmos" e quem não é da cartilha "não come". São raras as exceções.

Isto pode ser muito socialista, mas despreza o mérito e afunila a capacidade de iniciativa, o que choca com a visão social democrata que tenho deste e de outros temas.

A grande oportunidade de dar um impulso decisivo ao financiamento do cinema e audiovisual chegou em 2018, sob a forma de uma diretiva europeia e o Governo falhou em toda a linha.

Foi tudo mau. O ainda Secretário de Estado Nuno Artur Silva demorou dois anos a enviar a proposta ao Parlamento e remeteu uma proposta tão má que não encontrei uma criatura que a defendesse... nem os da cartilha!

A Comissão de Cultura e Comunicação fez um trabalho notável de audições, debate e propostas várias que, embora diversas, enriquecerem a proposta original do Governo.

PUB

Mas, chegados ao momento de fechar o processo, chegaram os tais "do costume" e queriam mais, mais e mais dinheiro para o ICA. Como nós os entendemos...

E o que fez o PS e o Governo? O habitual, ou seja, "ajoelharam" perante poderes fáticos e de legitimidade duvidosa e arranjaram mais uma "taxa" para calar os clientes do ICA.

Era altura de colocar a Netflix, HBO e outras a contribuir para o nosso cinema e audiovisual, mas sempre preferimos que fosse mais com investimento em produções em língua original portuguesa, protegendo os produtores independentes e menos com os duvidosos critérios do Estado.

Finalmente temos lei, mas foi tudo muito "poucochinho".

*Deputado do PSD

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG