Opinião

Paradoxo climático

Haverá quem diga que a urgência do combate às alterações climáticas é o principal tema dos anos 2019/2020.

Poder-se-á até pensar que estamos perante mais uma "moda", para a qual os média acordaram e, sendo moda, seria sempre a "última moda" antes da "próxima moda".

Mas, é hoje especialmente visível que a questão não é "moda" e que a urgência reclamada nada tem de alarmista ou precipitado.

Aliás, pensar que este tema se limitará a ocupar a agenda internacional e a nossa vida nestes dois anos é ingenuidade, para não dizer ignorância.

Sem cuidar aqui da análise dos "como" e dos "porquê", começa a ser inquietante e até angustiante assistir, por esse Mundo fora (e Portugal não será exceção), à multiplicação e intensidade de fenómenos naturais extremos, com danos de bens e de vidas que nos confrontam com a forma arrogante e predadora como nos comportamos perante os bens escassos que o planeta nos oferece.

Para qualquer observador minimamente atento, é hoje facto que existem impactos visíveis (muitos deles relatados, explicados e registados sem espaço para ceticismo) que permitem questionar - no mínimo! - a veemência da degradação do planeta por ação dos humanos.

De forma repetida rios secam até ao leito, sendo que outros galgam as margens com amplitude nunca vista.

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A fúria dos mares ameaça mais violentamente as zonas costeira e os incêndios atingem proporções homéricas.

As regiões polares degelam, as regiões de seca alargam-se e há cidades e metrópoles de atmosfera irrespirável.

Todos estes exemplos refletem fenómenos que todos conhecemos. Mas, com esta intensidade e reiteração, é evidente que não.

Todos os exemplos relatados trazem-me ainda uma outra reflexão.

Em pleno século XXI, quando o humano já aspira a viver na Lua, em que a medicina conhece extraordinários avanços e (oxalá que não) chegaremos ao ponto de escolher, ponto por ponto, as características dos nosso filhos, em que a informação é instantânea, as máquinas "pensam", "autoevoluem" e interagem com os humanos e há já carne produzida em impressoras 3D, o humano pensa assumir o poder supremo sobre o planeta que habita e ocupa.

Pois é. E depois a natureza irrompe, com um tsunami ou um tufão e ficamos de rastos, vergados à força e impacto destes fenómenos e até parece que a natureza, quando tão maltratada... se vinga!

Os nossos filhos têm o direito de nos exigir melhor herança para o futuro do planeta. E nós temos falhado, caminhando para o abismo em irresponsável aceleração. Até quando?

*DEPUTADO DO PSD

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