Opinião

RTP: sem Reis nem roque

RTP: sem Reis nem roque

A Rádio e Televisão de Portugal tem vivido momentos conturbados. Acumulam-se as trapalhadas, a liderança inconsistente, a ausência de diálogo interno e, como se não bastasse, até autênticos "casos de polícia".

Recordamos a polémica com a suspensão cirúrgica (e em véspera de eleições) do programa de investigação "Sexta às 9" de Sandra Felgueiras que, objeto de violentas acusações em sede parlamentar, não foi aclarada ou explicada pela diretora de Informação e acabou, com estrondo, na demissão de Maria Flor Pedroso e restante equipa de informação. E o Conselho de Administração comandado por Gonçalo Reis? Deu total solidariedade à sua diretora, mas não tirou qualquer consequência do desastre reputacional e de divisão a que levou os milhares de trabalhadores da RTP.

O mesmo presidente apressou-se a indicar nova Direção de Informação, sumariamente chumbada na ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) e só à terceira e em moldes que exigem esclarecimento, conseguiu "mudar tudo, para que nada mudasse" efetivamente.

A esta trapalhada juntamos o atual secretário de Estado que tutela o setor, Nuno Artur Silva, que conseguiu fazer "três em um"!

Ele conseguiu ser fornecedor de programas à RTP através de sociedade de que era sócio, como acumulou tal estatuto com o de administrador da RTP sob a presidência do mesmo Gonçalo Reis e, pasme-se, agora é secretário de Estado com a tutela da Comunicação Social (onde se inclui, naturalmente, a RTP) e tem interesses económicos indiretos na venda de serviços da empresa "Produções Fictícias" à RTP, pois os lucros daquela terão vantagens económicas para o próprio secretário de Estado. Estes são fatos e estão documentados.

E o Conselho de Administração de RTP o que tem a dizer? Nada... aparentemente é tudo normal.

Mas, às questões de mera incompetência, falta de ética ou "conflito de interesses", junta-se agora algo mais grave e que pode implicar a intervenção de outras entidades de investigação.

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Segundo denúncia pública, o Conselho de Administração da RTP (sim, o de Gonçalo Reis e de Nuno Artur Silva) deliberou vender em 2016 um edifício e terreno da RTP por 1 751 000 euros. Passados 4 anos, o mesmo terreno está à venda por 12,3 milhões e o atual proprietário gaba-se de ter quem lhe tenha oferecido já 14,7 milhões.

Cabe ao PSD, responsavelmente, chamar ao Parlamento esta gente toda para, em direto e ao vivo, exercer o poder/dever de fiscalização que nos compete. E os portugueses avaliarão.

Deputado do PSD

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