Opinião

Sinto-me ameaçado

Em 1975, uma "Frente de Esquerda" tentou mudar o rumo de Portugal e falhou. Mas, nessa altura, o PS fez parte da solução. Em 2019, infelizmente, o PS faz parte do problema e encabeça a "Frente de Esquerda" que só o PSD e o centro-direita podem combater.

Os mais velhos recordam, certamente, o verão quente de 1975, quando uma verdadeira "Frente de Esquerda" e extrema-esquerda tentaram tomar o poder pela via revolucionária, contra as demais forças moderadas que impuseram a via eleitoral e levaram à decisiva (mesmo que imperfeita) Constituição de 1976. Ninguém pode negar o contributo do PS e de Mário Soares para este desfecho, ao lado do PSD e demais forças moderadas. Mas esse era outro PS, o PS de Mário Soares. Em 2019 a "Frente de Esquerda" reinventa-se, o pesadelo de um verdadeiro golpe de regime constitucional é possível e o Partido Socialista passou a ser pasto deste avanço de Esquerda, populista, fraturante e radical.

À Esquerda disputam-se as propostas mais extremas. Se o PCP defende tributar o IRS a 75% e o IRC a 25%, o BE defende "reestruturar a dívida" e aproveita para propor mais 20 mil funcionários públicos por ano. O PAN quer um SNS para os animais e o Governo entra no experimentalismo social com as casas de banho "a la carte" para crianças.

Creio que o momento é decisivo e definidor. O ímpeto galopante desta nova agenda de Esquerda ameaça o modelo social-democrata em que acredito.

Eu quero "menos Estado e melhor Estado". Não tenho alergia aos privados nos serviços públicos (com exceção das "áreas de soberania"). Sou e sinto-me europeu, mas não sou federalista. Aspiro a ver o "fator trabalho" mais valorizado nas empresas e na economia. Acredito na livre iniciativa, com defesa do mérito e da liberdade individual, sem imposições de "way of life" ou do politicamente correto. Defendo a propriedade privada e a liberdade de escolha de ensino para os meus filhos. Sou heterossexual e valorizo a noção de família e casamento, respeitando outros modelos de realização pessoal, em liberdade e sem imposições. E revejo-me na noção de verdadeira caridade (cristã), sem assistencialismos inconsequentes. E, dito isto, sinto-me hoje ameaçado.

Todos os que defendem este modelo estão ameaçados e, em outubro, é o momento de construir, no voto, a barreira a este turbilhão de Esquerda.

Sem desculpas, sem reticências, não há espaço para o cinzento. Desta vez é "eles ou nós", sem terceira via. E, não votar PSD vai ser sempre, sempre, votar António Costa.

PUB

*Deputado do PSD

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG