Opinião

Castas do poder local

Bem-vindo ao admirável mundo das autárquicas. Neste universo lusitano encontramos pelo menos quatro castas de candidatos a lugares no poder local: os populistas sonhadores, os impolutos ofendidos, os obreiros incansáveis e os sisudo-naïfs.

Como consumidor autárquico, toda a atenção é pouca. Leia bem o rótulo que vem na embalagem. Encontramos também cruzamentos. Há candidatos com traços de personalidade que remontam a antepassados populistas sonhadores, mas que com o passar dos anos no cargo denotam desvios de personalidade típicos de obreiros incansáveis. Uma mistura explosiva que pode fulminar concorrentes da casta dos sisudo-naïfs, isto é, os que vêm para o mundo do poder local com excesso de boas intenções e défice de experiência autárquica.

Os portugueses devem ter sempre um crivo afinado quando ouvem os candidatos falar de tudo e mais alguma coisa, prometendo mundos e fundos. Colocar mais polícias nas esquadras ou alargar redes de transporte são promessas que denotam megalomania ou estados de alma catatónicos. Nem tudo o que se promete está ao alcance de um autarca. Ainda vivemos num estado demasiado centralista. Em muitos casos, a promessa de que tudo se resolve a partir dos Paços do Concelho é feita pelos novatos ambiciosos, provenientes da casta dos populistas sonhadores. O sucesso destes é mais viável em concelhos onde fazer melhor do que o incumbente parece fácil.

Os impolutos ofendidos têm futuro incerto. Normalmente, são pessoas sem cadastro. Quando caem nas malhas da Justiça, parecem seres profundamente humilhados, clamando alto a sua inocência e acusando inimigos velados de esquemas malévolos com o intuito de manchar a honra de quem trabalha em prol da sociedade. Um verdadeiro inocente viverá um inferno. Um culpado não assumido levará a melhor se puder e souber aproveitar as fraquezas da Justiça.

Editor-executivo-adjunto

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