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Classe média sem energia

Classe média sem energia

O risco de uma alta acentuada do preço da eletricidade entrou na campanha eleitoral das autárquicas. Os líderes partidários aproveitam discursos direcionados a populações locais para falar de questões nacionais.

O problema não é de somenos importância. Daí que o presidente da República tenha alertado para uma eventual desaceleração da economia decorrente de uma alta da energia. Os candidatos autárquicos agradecem que o tema seja discutido, dando até impressão que eles próprios fazem parte da solução.

A atenção dada pelos políticos à energia justifica-se não só pela ameaça que impende sobre a economia, por via dos custos acrescidos das empresas, mas também devido a uma realidade insofismável: mais de metade (60%) da sociedade portuguesa encaixa na classe média, de acordo com a OCDE. E é esta classe média, parte fundamental do eleitorado votante, que sente algum impacto quando as faturas da eletricidade ou dos combustíveis sobem. As classes menos favorecidas estão protegidas por tarifas sociais em vários serviços, bairros camarários de rendas baixas ou inexistentes, já para não falar de apoios sociais que ora aumentam ora ficam congelados quando há necessidade de fazer cortes na despesa do Estado. Adicionalmente, os aumentos nos combustíveis também não têm um impacto significativo, uma vez que os desfavorecidos veem-se obrigados a optar pelo transporte público. Em suma, ganham menos, mas estão proporcionalmente mais protegidos de solavancos.

Em Espanha, onde dez milhões de clientes do mercado regulado estão a sentir na pele aumentos substanciais no preço da luz, o Governo prometeu uma baixa de impostos. Por cá, fala-se em apostar ainda mais nas renováveis para baixar o custo de produção, agora mais dependente do gás natural. Aliás, tanto na eletricidade como nos combustíveis, o busílis está nos impostos. O efeito seria imediato. Quando são as próximas legislativas?

*Editor-executivo-adjunto

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