Opinião

Comboio das vacinas

Vacinar ou não vacinar? Eis a questão pertinente que surgiu de forma inusitada perante as autoridades de saúde quando foram detetados casos problemáticos de coágulos no sangue em pacientes inoculados quer com a Johnson & Johnson quer com a AstraZeneca.

Os efeitos secundários são, sem dúvida, marginais, pelo menos até ao momento. Estamos a falar de vacinas sem um historial digno de registo, uma vez que surgiram há escassos meses.

A SARS-CoV-2 já matou mais de três milhões de pessoas em todo o Mundo. Esse facto, juntamente com os efeitos secundários indesejados, remete-nos para o "dilema do comboio desgovernado". É uma mera coincidência que a apresentação do Plano Ferroviário Nacional tenha decorrido ontem. Espera-se que a segurança das linhas mereça algum investimento.

Seja como for e voltando ao problema das vacinas, imagine um comboio sem travões. O maquinista avista cinco pessoas em cima da linha e treme perante a tragédia anunciada. Repara, no entanto, que pode ativar uma alavanca e mudar de linha. Um alívio temporário, uma vez que aí deverá atropelar um transeunte.

Desvia o comboio ou antes pelo contrário? A vida de cinco vale mais do que apenas uma? Perante os problemas marginais causados por algumas vacinas, devemos hesitar e permitir milhares de mortes devido ao novo coronavírus para salvar umas dezenas de vidas?

Todos nós corremos riscos. Uma simples cirurgia pode gerar uma infelicidade. Claro que podemos minorar esses riscos e é isso mesmo que as autoridades de saúde têm feito ao delimitar perímetros etários para determinadas vacinas.

Confesso que sou adepto de uma vacinação maciça. Sou um agnóstico relativamente às marcas e, tal como se fez na Rússia, até imagino um comboio de vacinação a percorrer o país, mas neste caso com o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo na locomotiva. Espero que não surjam transeuntes a impedir a linha. O dilema seria sério para o líder da task force.

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*Editor-executivo adjunto

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