Pedro Araújo

Igualdade só no discurso

Igualdade só no discurso

Caros portugueses e portuguesas, hoje é o Dia Internacional da Mulher. Não sei se o leitor reparou, mas a forma de me dirigir a si contém um pequeno artifício: ao diferenciar o género, opção muito em voga no plano partidário e, por vezes, sindical, o autor deste tipo de discurso parece piscar o olho ao público feminino. Imagine se o presidente da CGD ou de outro banco qualquer apresentasse as contas anuais da instituição e começasse por se dirigir a todos e a todas os/as acionistas e clientes. Cairia no ridículo.

O discurso de género esconde, infelizmente, uma incapacidade de dar o devido protagonismo às mulheres. Se tal sucedesse, os portugueses - expressão que inclui homens e mulheres - não perderiam tempo a ouvir figuras públicas protagonizar tentativas supérfluas de agradar a um dos géneros. Nesse esforço levado ao limite, um alto quadro partidário cumprimentou um dia os seus "camaradas e camarados".

O JN publica hoje uma série de números, em paralelo com análises de especialistas, sobre as desigualdades de género em Portugal. Paralelamente, fomos buscar exemplos de mulheres com sucesso em diferentes áreas de atividade. Mulheres que provavelmente não se sentem mais incluídas pelo discurso de género com laivos populistas.

No contexto global, a situação não é famosa. De acordo com as Nações Unidas, apenas três países no Mundo têm 50% ou mais mulheres no Parlamento. As mulheres são chefes de Estado em apenas 22 estados. Na verdade, em todo o Mundo 119 países nunca tiveram uma líder mulher como chefe de Estado. Descendo ao nosso Portugal, o cenário não melhora. O PSD não consegue mais do que três mulheres numa lista de 102 candidatos a câmaras municipais. Veremos o que acontece nos restantes 206 municípios. Má vontade do líder? Acho que o problema é mais fundo. Nenhuma mulher quer ser candidata só para preencher quotas. A vontade delas também conta. Passo-lhes a palavra.

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