Opinião

Juntar jovens com grisalhos dá saúde e faz crescer

Juntar jovens com grisalhos dá saúde e faz crescer

Nos Jogos Olímpicos ancestrais, o vencedor em cada uma das modalidades - incluía uma competição entre trombeteiros - obtinha um prémio de 500 dracmas, um lugar de honra em todas as celebrações oficiais e, mais importante, uma assistência social vitalícia por parte do Estado ateniense.

O desenvolvimento económico levou a que o Estado social mínimo estivesse presente em grande parte do Mundo ocidental a partir do século XX.

O debate atual não reside, felizmente, na necessidade de garantir o acesso a uma pensão de velhice. A discussão centra-se no binómio constituído pela baixa natalidade e a alta esperança de vida aos 65 anos. Em que medida prolongar a vida ativa contribui para a produtividade das empresas e para a integração dos jovens no mercado de trabalho? Estas são as questões fundamentais.

Em primeiro lugar, a combinação de recursos humanos jovens com quadros mais experientes mostra que os "grisalhos" são mais consistentes. Num estudo internacional publicado em 2010 ("Cogito Study", consultável online), foi provado que o desempenho dos seniores é mais consistente do que o dos mais jovens. O estudo comparou 101 adultos jovens (20-31) e 103 adultos mais velhos (65-80) em 12 tarefas diferentes ao longo de 100 dias. Estes incluíram testes de habilidades cognitivas, velocidade percetiva, memória episódica e memória de trabalho.

Os pesquisadores esperavam provar que os trabalhadores jovens tinham uma resposta mais consistente ao longo do tempo. No entanto, o desempenho dos trabalhadores de 65 a 80 anos foi na verdade mais estável, menos variável de um dia para o outro do que o do grupo mais jovem. Respondendo, portanto, à minha primeira pergunta: a combinação de gerações enriquece a empresa.

Em Portugal, a idade de acesso à reforma vai subir para 66 anos e sete meses em 2022. A mortalidade covid vai mudar algo no cálculo sobre 2023, mas esse não é o ponto. Será que trabalhar mais anos constitui uma barreira para a entrada dos jovens no mercado? Ou seja, a geração grisalha está a ocupar os postos de trabalho cada vez mais escassos, tendo até em conta os efeitos da digitalização da economia?

O Centre for Economic Policy Research acaba de publicar um estudo sobre os efeitos do aumento da idade de reforma em Itália, que ocorreu em 2012. Conclusão: um incremento de 10% no número de "quadros" mais velhos levou a uma subida de 1,8% no número de trabalhadores jovens e de 1,3% de funcionários de meia-idade. Há espaço para todos e, por outro lado, a produtividade empresarial não baixou.

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*Editor-executivo-adjunto

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