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Menos é mais ou o inverso?

Menos é mais ou o inverso?

Os minimalistas não terão qualquer hesitação em seguir a sua máxima: menos é mais. O mesmo poderíamos dizer ao aplicar este princípio às restrições a que todos temos estado sujeitos devido à pandemia.

Falei com um advogado, um médico e um jornalista. Nenhum conseguiu dizer-me de cor e salteado as regras sob as quais vivemos atualmente, já para não falar das que estão previstas para o Natal e Ano Novo. As horas em que é permitido circular vão variando, o mesmo acontecendo, por exemplo, com os regras aplicadas aos restaurantes. O cidadão mais respeitador tem de ter uma cábula para não colocar o pé em ramo verde. Se as regras fossem em menor número, o cumprimento das mesmas nunca estaria em causa. Menos seria, portanto, mais.

Em Singapura, um decreto proibiu cortes de cabelo mais complexos e demorados nos cabeleireiros durante a pandemia. Um serviço mais básico e de curta duração garantiria uma menor taxa de infeções. Ou seja, o Estado achou por bem regular os penteados, complexificando as regras. Em Portugal, não chegámos ainda a esse ponto. No entanto, há outro domínio onde "menos seria mais" vantajoso para todos. Refiro-me aos horários de fim de semana sob o estado de emergência. Denotando uma real preocupação com as infeções geradas em encontros de famílias alargadas, o Governo fez tábua rasa e limitou muito os horários de circulação nos concelhos de risco muito elevado ou extremamente elevado. Ao colocar o limite nas 13 horas ao sábado e domingo, as famílias concentraram os seus afazeres nas manhãs de sábado e de domingo. Todos sabem que há engarrafamentos e filas de pessoas junto a shoppings e supermercados. Os cafés mais populares têm estado a abarrotar. Bastaria que um membro do Governo entrasse num destes espaços ao fim de semana para rapidamente perceber que "menos" regras garantiriam "mais" segurança sanitária.

Editor-executivo-adjunto

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