Opinião

Partidos ao espelho

"Em Espanha, a extrema-direita chegou primeiro que em Portugal e está em declínio e vai ser assim também aqui", afirmou Rodríguez Zapatero, orador convidado na conferência Next Left, promovida pelo Partido Socialista português, que decorreu na última segunda-feira.

O tema da ascensão dos extremismos ao poder, seja ele executivo (Governo) ou legislativo (Parlamento), é mais do que atual. Tanto assim que Augusto Santos Silva, presidente da Assembleia da República, sublinhou, naquele mesmo evento, que o extremismo populista está presente em vários movimentos que "praticam violência urbana" e "degradam o uso das greves", apagando "as fronteiras com a extrema-direita" e permitindo "a circulação entre os dois extremos". A referência indireta à greve dos professores em curso foi evidente.

O importante debate sobre os extremismos de direita foi promovido por um partido político tradicional e, ainda por cima, aquele que está no poder, apesar dos escândalos que vai acumulando. Chegou talvez o momento de os partidos com maior história na democracia portuguesa se olharem ao espelho. O crescimento dos extremismos não se deverá à sua incapacidade de responder aos problemas concretos dos cidadãos? A falta de moral e ética, já para não falar de ilegalidades objetivas, da classe política não estarão a servir de fermento para os extremismos?

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Apesar de um "mea culpa" das estruturas partidárias mais maduras poder vir a revelar-se útil, a verdade é que a sociedade que estamos a formar não é inocente. Segundo o filósofo Jason Brennan, a maior parte dos cidadãos que votam nas democracias são nacionalistas ignorantes, irracionais e desinformados. Façamos então um esforço para desmentir Brennan e apostemos na mudança de paradigma do que é a educação e a formação das futuras gerações. Muitos deles serão os próximos políticos.

*Editor-executivo-adjunto

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