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Opinião

Uma perda do Norte

Proponho a criação de um grupo de trabalho para delinear uma estratégia sustentável capaz de recolocar a Região Norte na agenda das políticas económicas assentes numa lógica de equidade territorial.

Ou seja, os especialistas poderiam explicar aos governantes - passados, atuais e futuros - que os "ajuntamentos" de centros de decisão são inimigos da coesão nacional. E é errada a ideia de que só um estado totalitário pode controlar essa tendência. A mais recente decisão sobre esta matéria surgiu ontem: a Galp vai fechar em definitivo a refinaria de Matosinhos no próximo ano, concentrando a produção em Sines. Não querendo parecer indiferente, o Governo avançou com a criação de um grupo de trabalho que irá fazer propostas no sentido de reconverter as centenas de funcionários afetados, o mesmo se aplicando aos atingidos diretamente pelo encerramento, em 2021, da central elétrica a carvão de Sines.

A fuga dos centros de decisão do Norte para paragens mais sulistas não é nova. Basta recordar a concentração de meios do BCP e do BPI, ambos nascidos no Porto, na capital. O novo Banco de Fomento poderá deixar a Invicta, onde têm estado os escassos meios da Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD). O Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI) está oficialmente sediado na Rua dos Salazares, no Porto, mas os seus órgãos executivos estão em Lisboa. A lista é longa.

A proposta de deslocalização para Coimbra das sedes do Supremo Tribunal Administrativo e do Tribunal Constitucional, apresentada por Rui Rio em setembro, pode parecer esdrúxula, mas seria interessante passá-la pelo crivo de um eventual grupo de trabalho.

Quanto aos privados, o Governo não pode intervir de forma direta, mas está ao seu alcance dar o exemplo, descentralizando serviços e criando incentivos à fixação de investimentos na região mais exportadora do país.

Editor-executivo

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