Opinião

A reforma do Estado! PIM!

A reforma do Estado! PIM!

Importa descodificar o exercício discursivo a que o vice-primeiro-ministro se entregou com tanto afinco ao fim da tarde da passada quarta-feira, após longos meses - porventura curtos anos? - da paciente gestão de exuberantes silêncios. Para memória futura, recorde-se que "a reforma do Estado" foi uma incumbência confiada no verão passado ao então ministro dos Negócios Estrangeiros, irrevogavelmente demissionário e chefe de um dos partidos da coligação do Governo, juntamente com a vice--presidência do poder executivo, a representação deste junto da poderosa troika e a colocação de novas peças no tabuleiro do xadrez governamental. Foi essa a receita - polémica e insensata - para evitar uma nova antecipação de eleições legislativas o que, para a inteligência comum, se afigurava como sendo algo meridianamente inevitável.

A tais prendas e honrarias não corresponderam as manifestações de apreço e gratidão que logicamente se deveria esperar. Pelo contrário, seguiu-se um interminável mutismo só agora quebrado, justamente, no início do debate parlamentar do último Orçamento do Estado vinculado ao memorando de entendimento tão insistentemente reclamado pelos atuais governantes até conseguirem a sua definitiva concretização, pelo governo que o antecedeu, nesse ano já bem distante de 2011.

Houve até generosos "hermeneutas" a sugerir que o ansiado guião da reforma do Estado iria projetar, retroativamente, uma luz esclarecedora do sentido das políticas adotadas ao longo destes dois anos e meio de governação, como se o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros nos devesse alguma explicação acerca disso! Nem por sombras! Como bem sublinhou o seu autor, o guião agora dado à luz foi concebido como um exercício intemporal. Vá lá, como uma coisa de "médio prazo", condicionada à verificação incerta de condições futuras, tais como taxas de crescimento económico mínimo ou disponibilidades máximas para o "diálogo" e a concertação política. É um guião "multiusos". De momento, serve de aperitivo para os "cortes" prometidos pelo novo Orçamento do Estado, no futuro há de servir para tornar o Estado invulnerável a novos riscos de insolvência e até no passado poderia também ter servido para qualquer coisa, designadamente, para justificar, em 2009, um governo de coligação com o PS...

Deste guião da reforma do Estado nada mais havia a esperar do que aquilo que se viu:

- uma vingança traiçoeira, o acerto de contas por uma prenda envenenada, humilhação, mera intriga doméstica. Não o tenciono ler, nem dedicar-lhe mais atenção do que esta que até já me parece excessiva. BASTA PUM BASTA!

E em homenagem às tristes artes da política presente, neste "jardim à beira-mar plantado", permito-me rematar com a homenagem ao poeta a quem me encomendei, logo no título: - do MANIFESTO ANTI-DANTAS E POR EXTENSO por José de Almada-Negreiros, POETA D'ORPHEU FUTURISTA e TUDO: "O DANTAS EM GÉNIO NUNCA CHEGA A PÓLVORA SECA E EM TALENTO (......)" Passos e Portas! Pim-Pam-Pum!

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