Opinião

Grandeza e miséria do Oriente...

Grandeza e miséria do Oriente...

Desenlace inesperado de uma promessa em que poucos confiaram, anunciada há mais de um ano, Xanana Gusmão, primeiro-ministro de Timor-Leste, renunciou ao cargo e indigitou para as funções que ele próprio desempenhou até agora, Rui Araújo, um médico, antigo ministro da Saúde no Governo de Mari Alkatiri e membro do Comité Central da FRETILIN - o principal partido da oposição!

Embora o processo seja de elevada complexidade e de prognóstico incerto, a explicação é muito simples. Xanana diz que é tempo de os mais velhos passarem testemunho à nova geração. Que é tempo de os "veteranos" da guerrilha e da frente externa de resistência à ocupação indonésia transmitirem as responsabilidades de governo à geração do massacre de Santa Cruz, de 12 de novembro de 1991, que conquistou definitivamente para a causa da independência do povo de Timor-Leste, uma opinião pública internacional que até então se mantivera alheada ou indiferente. E Xanana não se limita a exibir um inusitado desapego pelo poder. Não apenas sugeriu, para lhe suceder, um homem da oposição - que o Presidente da República acabou de nomear - como aceitou, com modéstia incomum, assumir a pasta ministerial do planeamento estratégico, no Governo que sucede ao Governo a que presidiu! Como recorda Agio Perreira - número dois do VI Governo, onde mantém a pasta da Presidência do Conselho de Ministros e porta-voz do Governo - a convergência entre os dois maiores partidos foi assumida por Xanana Gusmão e Mari Alkatiri como um propósito comum, no debate parlamentar do Orçamento de 2013. Mas ambos os líderes tinham já dado provas da sua lucidez e capacidade de concertação sempre que o interesse do país o reclama. Por exemplo, na crise de 2006, perante os confrontos armados que ameaçavam a sobrevivência de Timor-Leste e forças militares internacionais voltavam a ocupar a capital.

... ao Ocidente

Infelizmente, os governantes lusitanos não se deixam inspirar por tais exemplos. O Governo, a maioria parlamentar que o sustenta e o Presidente da República portuguesa, incomodados pela flagrante demonstração do fracasso das políticas que infligiram ao país durante os últimos anos, perderam a compostura e desataram a insultar o Governo legítimo de outro estado-membro da União Europeia - a Grécia. São atitudes ditadas pela subserviência e o despeito. São manifestações de miopia na compreensão da necessidade da Europa chegar a um compromisso com a Grécia. São um sinal de desprezo pelo interesse nacional que só pode colher benefícios da mudança das políticas europeias. Em tempo, Carlos César, o novo presidente do Partido Socialista, deu resposta cabal a tais desaforos e inconsistências.

PROFESSOR DE DIREITO CONSTITUCIONAL

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