Opinião

Jeremy Corbyn no seu labirinto...

Jeremy Corbyn no seu labirinto...

Inconsequente e evasivo perante os sucessivos fracassos do Governo conservador britânico nas negociações com vista ao abandono da União Europeia, o Partido Trabalhista de Jeremy Corbyn tarda em assumir a única conclusão decente que pode ser retirada de um processo negocial que, ao fim de dois anos de consecutivo impasse, deixou os cidadãos mais confusos, estilhaçou os partidos políticos e arruinou a economia britânica. Ironicamente, o último ato oficial de Theresa May como primeira-ministra foi a receção de Estado a Donald Trump.

O presidente americano ofereceu à extrema-direita do seu partido conservador - onde agora se disputa a sucessão - o apoio que antes lhe negara. Trump, como sempre, é claro e brutal na confissão daquilo que pretende: o corte definitivo e total com a União Europeia para transformar a Inglaterra em parceiro económico privilegiado dos EUA, em cúmplice dócil da sua estratégia internacional, enfim, numa espécie de Singapura atlântica. Um destino fruste para o único Estado da Europa ocidental que, com Winston Churchill, não se deixou seduzir pela propaganda dos nazi-fascistas que desencadearam a Segunda Guerra Mundial e que não se rendeu à ofensiva militar responsável pela tragédia da Segunda Guerra Mundial.

A alternativa é dramática e urgente e não consente a Jeremy Corbyn qualquer desculpa para hesitar. De um lado, a promessa de um estatuto de subserviência e subalternidade perante a antiga colónia que agora se declara disponível para lhe reconhecer a condição "neocolonial" de um mero "protetorado"... pelo menos, enquanto for Trump a mandar. Do outro lado está a Europa, que embora distante dos ideais de paz e solidariedade em que originalmente se fundou e progrediu continua a ser um espaço plural de confronto político e ideológico mas também de concertação e convergência institucional, uma Europa que apenas conseguirá sobreviver enquanto farol de esperança contra os nacionalismos e o recrudescimento belicista que avassalam o nosso tempo e o nosso Mundo.

Só a realização de um novo referendo oferece a possibilidade de escapar do pântano em que o partido conservador, a teimosia e a pesporrência de Theresa May - a primeira-ministra cessante - atolaram a Grã-Bretanha. Os sucessivos fracassos do processo negocial demonstraram que o Brexit não passou de um expediente populista esgrimido por um candidato disposto a ganhar as eleições a qualquer custo e que logo fugiu perante a inesperada derrota: David Cameron. Demonstrou também que o Reino Unido faz falta à Europa e que a União Europeia é uma barricada contra a desregulação caótica da economia global.

*Deputado e professor de Direito Constitucional