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Opinião

#marcelofirst

Não há território político virgem onde Marcelo Rebelo de Sousa não deixe uma pegada. O Portugal contemporâneo vive, de certa forma, refém das suas pulsões, num diálogo em mar revolto entre passageiros (nós) e comandante (ele). Ocasionalmente, vê-se um aceno da costa, de Costa, de cumplicidade mas também de saudade, tantas as vezes que se abraçam. Agora, o presidente que torna as convenções em exceções anunciou que a agência de notação financeira Fitch vai manter o "rating" de Portugal em lixo estável. Antes mesmo de a agência ou o Governo (parceiros contratuais) se pronunciarem. Antes mesmo de os mercados darem um ai. Antes, até, de a informação económica dar um ui. Mas Marcelo é assim: descrispar o ambiente político é gerar novos factos políticos. Como nos bons velhos tempos. "Marcelo first" podia ser o novo slogan da Presidência. Contudo, a ubiquidade de Estado é exercida com tamanha alvura que já nada nos inquieta. Ele nada no Tejo, ele almoça com sem-abrigo, ele corre com miúdos na rua. Adoramos um presidente como se adora um rei. "Marcelo first" só é possível com "Marcelo, the First".

* JORNALISTA

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