Opinião

#absolutavergonha

Os labirintos da culpa têm múltiplas entradas, mas apenas uma saída: ou escapamos condenados, ou ilibados. E, em matéria de consciência, ou nos pesa se a tivermos, ou tanto nos dá se ela não nos mordiscar a almofada antes do sono. No caso de José Sócrates, o labirinto é ainda mais tortuoso. Porque está em movimento. A justiça ainda não escancarou a porta de saída da Operação Marquês, mas as acusações que lhe são imputadas, e a narrativa que lhes serve de âncora, ajudam a formar uma convicção sobre a sua culpabilidade. Nenhum Ministério Público consegue ser tão criativo. Embora os factos provados sejam outra coisa. Ora, durante três anos e meio, o PS andou aos esses no trapézio sem saber para que lado devia gingar as ancas. À justiça o que é da justiça, à política o que é da política. Que funcionou lindamente como um "tomem lá esta frase que não quer dizer nada porque nós não podemos dizer o que sabemos e o que devíamos dizer". Os homens-fortes do ex-partido do ex-primeiro-ministro alinharam a consciência nas televisões e sentenciaram o caso. E Sócrates. "Culpado". "Temos vergonha". "É uma desonra". Não se pense, contudo, que a moral assaltou subitamente os espíritos de tanta gente. O abrir do peito socialista é um gesto frio e racional de taticismo. Este Governo de coligações resiste a tudo, mas um Governo absoluto do PS pode não resistir a esse fantasma que assoma ocasionalmente à janela do Largo do Rato com a estridência de um "animal feroz". José quem?

JORNALISTA

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