Opinião

Como é que se pára o Mundo?

Como é que se pára o Mundo?

Resposta rápida e óbvia: não pára. E essa impossibilidade, exposta de forma pragmática pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, deve servir de molde a qualquer debate sobre a forma como devemos encarar o gigantismo de um fantasma chamado coronavírus.

Mas sendo verdade que não se pode parar o Mundo, também é verdade que, à medida que o surto vai galgando o planeta, nos apercebemos de que o Mundo também não sabe como parar o coronavírus. Parece uma dualidade bizarra, mas não passa de uma sequência natural na cronologia dos factos.

O Mundo não estava preparado, como reconheceu outro responsável da OMS, nem podia, na verdade, estar. O grau de imprevisibilidade do vírus, sobretudo na cadência e na geografia da propagação, tem forçado os países - os mais e os menos desenvolvidos - a agir em manifesta contenção de danos, correndo atrás do prejuízo. A parte pior é que a desorientação resulta em desinformação e que esta degenera em alarmismo.

Não faltará muito até que Portugal deixe de ser uma espécie de aldeia gaulesa europeia que resiste aos casos positivos do vírus. É bom que nos preparemos. Nós, os cidadãos; nós, os jornalistas que têm a obrigação de informar com rigor e sem sensacionalismos; e sobretudo nós, as autoridades de saúde pública e os poderes políticos executivos.

Os gritos de alerta dos cientistas não deixam ninguém descansado, mas a gestão da ansiedade pública tem de ser feita de forma responsável por quem comunica com o país. Falando sempre verdade, numa linguagem entendível, sem estados de alma nem achismos, não politizando o caso nem alongando explicações desnecessárias e redundantes. Fazer isto no plano mediático não desobriga, porém, as mesmas entidades de estarem preparadas, no recato das suas competências, para o pior dos cenários. Antecipando um caos que ninguém deseja, mas que ninguém consegue, em rigor, garantir que não se instalará. Não podemos parar o Mundo, mas podemos tentar andar mais depressa do que ele.

*Diretor-adjunto

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG