Opinião

Crianças torturadas e violadas

Crianças torturadas e violadas

Aqueles que, nos últimos sete meses, e graças a um admirável contorcionismo intelectual, foram encontrando justificações para a invasão russa da Ucrânia, indiferentes às barbaridades perpetradas pela máquina de guerra de Putin, certamente que ficaram cobertos de vergonha (havendo neles essa réstia de humildade) perante os dados revelados pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Nenhuma guerra é justa, e todas se alimentam do sangue do inimigo, mas a lista de horrores atribuída aos soldados russos (muitos dos quais jovens) é reveladora da ideia de extermínio e erradicação social e cultural que sempre esteve subjacente a um conflito lançado por um autocrata que se tornou ainda mais perigoso agora que está ferido na honra e encurralado na estratégia.

Crianças torturadas, violadas e assassinadas. E, nalguns casos, com os familiares obrigados a ser testemunhas dessas enormidades. Execuções sumárias, espancamentos, choques elétricos e nudez forçada durante detenções ilegais. O rol é extenso e revelador de crimes de guerra. As provas recolhidas demonstram que as balas russas não fazem distinção entre alvos militares e civis. De resto, as investigações em curso sugerem que possam ter sido cometidos pelo menos 30 mil crimes de guerra na Ucrânia. E a vala comum com mais de 400 corpos recentemente descoberta em Izium pode muito bem estar replicada noutras partes do território.

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Vão ser precisos muitos anos para encontrarmos todos os despojos desta investida sanguinária, mas não devemos nunca permitir que o autoproclamado direito à defesa que Moscovo usou para explicar a ofensiva na Ucrânia seja aceite como narrativa quando, depois, aqueles que se dizem atacados violam, torturam e matam crianças indefesas.

*Diretor-adjunto

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