O Jogo ao Vivo

Opinião

#cultural

A cultura foi entendida, durante anos, como uma excentricidade não acessível às geografias modestas. O Portugal profundo, quando muito, organizava uns festins gastronómicos ornamentados a salpicão e verde de estalo. Inculcado nas meninges de quem decidia estava o preconceito de que o povo só gosta de comer e de beber. De preferência com música aos berros. Os festivais literários, os concertos, as exposições e o teatro só tinham cabimento nas grandes cidades. Essa discriminação, julgo, estava relacionada, em larga medida, com a falta de mundo e formação dos dirigentes autárquicos. E com a decorrente timidez imposta aos públicos. A verdade é que hoje já damos por adquirido que é tão normal assistirmos a um concerto de Herbie Hancock em Amarante como na Casa da Música. A democratização no acesso à cultura e ao lazer está relacionada com o nosso progresso económico e maturidade democrática. Mas o real valor desta conquista só se explica à luz do que nós, coletivamente, transformamos numa exigência. Boas estradas e bons centros de saúde são mínimos sem os quais já não passamos. Perceber que a cultura, mais ou menos interclassista, também nos mobiliza o espírito critico, só reflete o valor que damos à perpetuação da nossa identidade.

JORNALISTA

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