Opinião

#cumplicidade

Não é todos os dias que vemos um ex-primeiro-ministro patrocinar publicamente uma coscuvilhice de baixo nível. E sendo esse ex-primeiro-ministro Passos Coelho, cultivador de uma imagem de correção, rigor e até de alguma inflexibilidade institucional, o ato torna-se ainda mais condenável. Contexto: José António Saraiva, ex-diretor dos jornais "Expresso" e "Sol", vai dar à estampa um livro em que promete fazer revelações sórdidas sobre a vida íntima de alguns políticos. Várias das referências conhecidas - que me abstenho de publicitar - são escabrosas e servem-se cobardemente dos testemunhos de interlocutores mortos. Incapazes, por isso, de se defenderem ou de negarem os "factos". Ora, esta espécie de "Casa dos Segredos" com lombada vai ser apresentada por Passos Coelho. Em nome da "amizade" que o presidente do PSD tem pelo autor. De resto, nem a divulgação pública de algumas fatias do deboche fez demover o líder laranja. Ele que também tem um capítulo dedicado a si, onde, por mera casualidade, é descrito como um homem "heroico" e "confiável". Da devassa da vida privada de tantos certamente que se encarregarão os tribunais. Da espúria cumplicidade de um ex-primeiro-ministro perante isto tratará a sua consciência. E a História.

JORNALISTA

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