Opinião

#diplomata

São tantos os palcos em que não atamos nem desatamos que por vezes somos derrotados pela aura da nossa endémica irrelevância no Mundo. O português mais conhecido no planeta não é um cientista, não é um escritor, não é, sequer, um estadista. É um encantador de bolas. Parecendo pouco para ser universal, é muito por ser Ronaldo. Cristiano é a bandeira de uma nação-retângulo que se une no sopé dos seus montanhosos remates. Felizmente que nessa latitude longínqua há outras estrelas, menos torneadas, menos fotogénicas. Mas que, todavia, se alcandoram a voos igualmente galácticos. Falo da diplomacia. Primeiro Durão Barroso na Comissão Europeia, depois Vítor Constâncio no Banco Central Europeu, seguido de António Guterres nas Nações Unidas. Agora é Mário Centeno, o ministro das Finanças que está na dianteira para ser o próximo presidente do Eurogrupo. Logo ele, a quem, malgrado o olhar pouco felino, chamaram de CR7 das contas públicas. O regozijo pode não ser o mesmo de um golo ao minuto 90, mas é reconfortante saber que o nosso ascendente no Mundo não se esgota num retângulo de relva. Com a vantagem de que Centeno, ao contrário dos demais, não cruzará a fronteira em busca da glória perdida durante os jogos em casa.

* JORNALISTA

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