Opinião

Falar menos, falar melhor

Falar menos, falar melhor

Foram todos muito humildes na hora de concluir que nem sempre a mensagem tem chegado de forma percetível aos cidadãos.

O Governo, o presidente da República e as diferentes autoridades de saúde. Mas depois ninguém parece ter aprendido com os erros. Que sentido faz o presidente da República ou o primeiro-ministro receberem os partidos antes de serem aplicadas novas restrições para, depois, da Esquerda à Direita, e no final de cada encontro, cada um vir anunciar, às pinguinhas, uma medida avulsa que Marcelo Rebelo de Sousa ou António Costa deixaram escapar? Dá certamente bons títulos de jornal e até pode ter a vantagem de ir preparando as consciências. Mas é, do ponto de vista de uma estratégia comunicacional que se pretende clara e direcionada, anacrónico. Transforma uma coisa séria num segredo de polichinelo. O mesmo podemos dizer dos encontros com os especialistas em saúde pública, donde saem teorias contrárias sobre caminhos a seguir, estudos que fazem cair por terra verdades recentes, enfim, mais desinformação atirada para os ouvidos de quem, como qualquer cidadão comum, está cansado de um assunto único e desagradável. Num mês, a maioria das infeções são contraídas em contexto familiar, as escolas não representam perigo e os restaurantes têm que fechar mais cedo porque são um potencial foco de contágio, noutro mês não há provas sobre o contexto de maior perigosidade interfamiliar, os números entre os jovens são alarmantes e os restaurantes afinal não são perigosos. Demasiadas contradições dão numa coisa: cada um ouve apenas o que lhe interessa. Cabe ao Governo e ao presidente da República poupar as balas para quando elas forem necessárias. Falar muito não é falar bem. Isso até podia fazer sentido na primeira fase do combate. Agora não. Agora já estamos mais resistentes ao susto. E ainda vai ser preciso que nos assustem mais um pouco.

*Diretor-adjunto

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