Opinião

#FÍFIA

A FIFA conseguiu transformar um debate interessante numa anedota. Proibir as televisões de mostrar imagens de "mulheres atraentes" nas bancadas durante os jogos de futebol pode, no limite do absurdo, criar um movimento em contraciclo das "mulheres feias" que, a partir de agora, sejam as únicas contempladas com base no normativo estético. Bom, mas como se definem os critérios de beleza? A FIFA vai distribuir um manual de fisionomia às estações? Com um capítulo dedicado ao dress code, com múltiplas alíneas sobre decotes? E, já agora, porque não obrigar os realizadores a filmar também homens atraentes? Se virem o bom-senso avisem. Ao ter optado por uma proibição simples, e de muito discutível aplicação, a FIFA perdeu uma oportunidade para fomentar uma discussão válida sobre um problema escondido. A verdade é que se recorre exageradamente a planos apertados de adeptas, algumas das quais modelos que buscam promoção pessoal, e que isso resulta num desequilíbrio, atendendo à diversidade de espectadores nas bancadas. Alertar para isto é uma coisa. Proibir é outra. É apanhar a onda dos radicalismos. É ser sexista tentando evitá-lo. A única preocupação da FIFA é mesmo o Mundial do Qatar de 2022, onde, por imperativos religiosos, não há tolerância com a exposição da beleza feminina. Business as usual, portanto. Ou não fossem os petrodólares tão sexy.

JORNALISTA

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