Opinião

#indultoaoperu

A política norte-americana é pródiga em cerimoniais que, à distância de um oceano, nos parecem um pouco tontos. Ainda assim, a encenação dos atos públicos, que transforma os poderosos em atores, é um dos dínamos daquela democracia. Na quarta-feira, mais um ritual se cumpriu, por ocasião do Dia de Ação de Graças, data que os Estados Unidos elegeram para reunir a família à volta de uma mesa farta. A personagem principal deste festim é a do costume: o peru. Bicho adorável que, ainda assim, não escapa à insensibilidade da faca de milhões de americanos. Mas manda a mesma tradição que o presidente salve da forca, em sinal de agradecimento, um desses animais, concedendo-lhe um indulto. Este ano, Barack Obama poupou a vida não a um, mas a dois perus: "Abe" (em homenagem a Abraham Lincoln, o presidente que criou o hábito) e "Honest" vão fazer gluglu até ficarem roucos numa fazenda da Virgínia. Obama esmerou-se: cerimónia na Casa Branca, ao lado das filhas, soltando piadas sobre perus. Rindo-se da situação. E de si próprio. Porque os políticos demasiado sérios não são para levar a sério. São perus de plástico: por fora são brilhantes, mas por dentro não têm recheio.

JORNALISTA

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