Opinião

#unicórnios

É com a mágoa típica do verão que reconheço que a exacerbada procura por unicórnios insufláveis está a ter efeitos nocivos no meio ambiente e na paisagem urbana. A sobrelotação de cavalos imaginários nas piscinas e nos mares desse Portugal etnográfico fez transbordar a manada de borracha para as ruas e jardins do país, onde os pobres coitados são abandonados, quase sempre com falta de ar no corno que lhes adorna a cabeça e com as asas de Pégaso desfeitas, em resultado de um uso inadequado por parte de pessoas que acham que são largas de ancas e não gordas. Prostrados no espaço público e duplamente esvaziados de sentido, se me permitem a metáfora fácil. Nunca pensei que fosse possível ver tantos unicórnios num mês sem ter necessidade de fumar alguma substância ilegal. Provavelmente, a fixação pelo bicho é apenas uma forma natural de compensar o exército de flamingos rosados que deu à costa no ano passado, mas o exagero só pode dar nos excessos que decorrem da abundância. Há unicórnios a mais na água e há unicórnios a mais em terra. E agora, o que nos trará 2019? Um minotauro azul-bebé com pompons nas patas e tatuagens floridas nos braços? Ou será este, em definitivo, o ano dos pinguins sempre em pé que rodam como loucosna zona da rebentação das ondas? Quem responder que as câmaras de ar dos pneus de camião vão regressar em força ganha umas braçadeiras verdes.

*JORNALISTA