Opinião

#claire

Poucas personagens femininas encarnam de forma tão bela o espírito da malignidade como Claire Underwood (aliás, Hale), estrela única da sexta e derradeira temporada da série "House of cards".

A "Deusa loura" (Robin Wrigh), como é descrita pelos que a desejam com a mesma fleuma com que a odeiam, projeta um calculismo exuberante. O qual parece ter herdado do marido, Frank Underwood, mas que ela, ainda assim, ainda que tolhida por esse fantasma, consegue sofisticar para além do esperado. Frank, interpretado pelo insinuante Kevin Spacey, morreu, mas gravita em toda a temporada. Primeiro, porque Spacey é um portentoso intérprete de um memorável presidente da América, segundo, e mais importante, porque a emancipação de Claire (pessoal, social e política) não aconteceria sem essa sombra constante. No fundo, uma presidente deve reunir o dobro da crueldade só porque nasceu mulher. Quando se funde a graciosidade de um cisne com a ferocidade de um jaguar, isso transforma-se num vício.

*JORNALISTA

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