Opinião

Passes de magia

E para Lisboa, não há nada, nada, nada? Tudo! E para o Porto, não há nada, nada, nada? Sim, também se arranja. E para o resto do país, é o habitual? Bem...... sim. Esperem lá, afinal há umas migalhinhas para distribuir que servem para pouco, mas o Governo é justo e preza sobremaneira a equidade territorial. Sobretudo a meses das eleições.

Caricaturar a discussão em torno dos passes sociais nos transportes ajuda a entender melhor o nível do debate. Em março, as áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa acordaram um plano que visava a criação de um preço único para as viagens nas geografias urbanas onde vive quase metade da população nacional, traduzindo uma aposta no transporte coletivo e mitigando a opção pelo automóvel. Tudo certo. Este é um debate imperioso. Há dias, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, chegou-se à frente, inclinando a discussão a favor da capital. Apresentou as contas e reclamou verbas do Orçamento do Estado, protegido por um aparente acordo tácito com o Governo. Cordialmente, a Área Metropolitana do Porto lembrou-lhe que o cheque teria de servir as duas regiões. Era o combinado. Mas bastaram dois dias para percebermos que o certo afinal estava incompleto. E que o discurso político se molda como a plasticina em função da estridência das reações. A medida, garante agora o ministro Matos Fernandes, será alargada a todo o país. Como e com que dinheiro, logo se verá. Mas o Governo só paga as perdas de receita resultantes da baixa dos preços às empresas que assegurem ligações entre concelhos e não às que operem num só município, o que faz com que cidades médias como Braga e Vila Real, por exemplo, fiquem de fora da prebenda.

Tratar os portugueses por igual é uma obrigação. Tratá-los como ingénuos é opcional. E, num assunto com este alcance, exigiam-se ao Governo passos seguros. Não passes de magia eleitoral.

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