O Jogo ao Vivo

Opinião

Já não dá para saltar do avião

Já não dá para saltar do avião

Continuamos sem poder responder a uma pergunta fundamental quando somos chamados a olhar para o futuro da TAP: no fim do processo de restruturação, a companhia aérea será viável?

Associada a esta, surge outra questão, mais cara a todos: vão ou não chegar - e sobretudo compensar - os cerca de 3,7 mil milhões de euros que o Estado irá emprestar à empresa até 2024? Quem disser que detém a solução para ambas as dúvidas está a mentir. Tudo porque a rápida degradação da situação económica global, arrastada por um agravamento da pandemia, veio tornar ainda mais perenes os pressupostos conjunturais em que assentou o plano de salvação da transportadora desenhado há meses e entretanto comunicado a Bruxelas. A saber: mais de três mil despedimentos, cortes salariais avultados, redimensionamento da frota e das ligações. Mas tudo isto pode não bastar se o mercado tardar em dar sinais de vida. Pouca que seja. No fundo, de nada nos valerá resgatar a TAP do fundo do poço se não houver céus para relançar a sua recuperação, ou seja, se não tiver músculo para começar a devolver o empréstimo aos contribuintes.

Nesse sentido, são certamente positivos os sinais de que o Governo e a maioria dos sindicatos representativos dos grupos de trabalhadores estão a alcançar acordos que possam trazer uma relativa paz social à empresa e, sobretudo, que ajudem a mitigar o mais possível os efeitos nefastos que uma indefinição prolongada provocará aos já depauperados cofres da transportadora.

A administração e o Estado querem cortar gorduras, os trabalhadores querem preservar os direitos adquiridos. Tudo natural e legítimo. Quanto mais depressa se entenderem mais depressa é dado à TAP um horizonte. Porque todos os dias são dias de perder dinheiro num setor que ficou amputado de asas. Basta pensarmos que, neste mês, a TAP vai reduzir a sua operação em cerca de 90%. Por isso, e porque já não há volta nesta jogada arriscada do Governo, é imperativo que todos se foquem no essencial: mesmo que a solução encontrada esteja a milhas do ideal, saltar em andamento do avião resultará num completo e absoluto desastre. Para a TAP e para o país que não comprou bilhete.

*Diretor-adjunto

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG