Opinião

#ministrodasolidão

A primeira-ministra inglesa, Theresa May, decidiu criar um Ministério da Solidão para fazer face a um drama social que atinge a sociedade britânica. Gerou-se um misto de reações: por um lado, os que se renderam à ousadia e pertinência da medida; por outro, os que esfregaram na cara da sisuda conservadora as decisões políticas que agravaram o problema que ela agora tenta resolver com um cargo inédito. Desde logo, o facto de a pobreza estar umbilicalmente ligada à solidão e de a mulher escolhida por May para ocupar a cadeira mais solitária da Europa, Tracey Crouch, ter votado contra o aumento de salários dos funcionários públicos. Em política, pensar fora da caixa, como parece evidente neste caso, significa, muitas vezes, correr o risco de vermos desacreditada uma boa ideia. Por razões objetivas, mas sobretudo porque essa ideia tende a cair no ridículo.

Não consigo imaginar um ministro português da Solidão (nem mesmo Mário Centeno, quando anda de tesoura em riste a fazer cativações), mas não seria absurdo, por exemplo, pensar num Ministério da Velhice. Ou num Ministério do Turista. Ou, até, num Ministério-para-resolver-de-uma-vez-por-todas-a-verborreia-dos--agentes-do-futebol. Desconfio, porém, que o governante apontado para esta função acabaria a falar com as paredes num edifício cheio de televisores. Transformando-se, dessa forma, e por via indireta, no ministro português da Solidão.

* JORNALISTA

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