Opinião

O CDS a fugir da levada

O CDS a fugir da levada

É da levada íngreme em direção à irrelevância que foge o CDS. É da absoluta necessidade de voltar à esfera do poder que depende o êxito dessa fuga. E é a urgência em consegui-lo que vai determinar o grau de empenho e o estilo do novo líder do partido, Francisco Rodrigues dos Santos.

Ele que, em poucos meses, poucos acreditaram ser capaz de chegar, ver e vencer. Ele que, ancorado numa estratégia pragmática, de afrontamento aos barões, fazendo uso da irreverência da idade e de um discurso menos tolerante com o status, sonha com um CDS como farol da Direita. Um CDS declaradamente conservador, mais musculado. Que faça caminho do extremo para o meio e não o inverso. "Seremos um partido que se tornará sexy", enfatizou o presidente que já não quer ser tratado por "Chicão".

Mas a Direita de hoje, esta Direita onde agora o novel presidente quer estacionar o partido, não é a mesma que guindou o CDS ao Governo de Passos Coelho. Que gerou ministros e secretários de Estado. A Direita onde o CDS versão 2020 quer florescer, a "nova Direita", como a designa Francisco, é também a Direita do Chega, dos populismos, do ascendente da mensagem acéfala das redes sociais no discurso político, da intransigência. Uma Direita com trincheiras, de facas na liga, sem travões que não os muito poucos que cria para si própria.

Ora, um CDS mais extremado do que aquele que vimos na vigência de Assunção Cristas terá necessariamente de disputar esse eleitorado. Porque a tal levada íngreme em direção à irrelevância de que foge um partido com cinco deputados pode transformar-se muito rapidamente num precipício sem retorno. Salvar-se ou morrer, eis o dilema do CDS. Veremos que efeitos terão no discernimento político de Francisco Rodrigues dos Santos os instintos de sobrevivência desta "nova Direita".

* DIRETOR-ADJUNTO

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