Opinião

#peditório

Não me tira o sono que um partido político na falência, ou numa "situação financeira complexa", como proferiu chamar-lhe o Partido Socialista, se sirva dos contributos dos militantes para pagar as contas da luz e da água. Há quem o faça numa base mensal, sem discriminar o propósito da dádiva e por mera reverência ideológica, há quem o faça por baixo da mesa, em regime livre, sob a forma de gratificações empresariais em malas forradas de notas. Os militantes não servem apenas para agitar bandeiras nos comícios ou adornar as mesas redondas nos roteiros do lombo assado. A situação do PS, que regista um passivo de 21 milhões de euros (é o mais alto: PSD e CDS também estão no vermelho e o resto da Esquerda deu lucro), só é alarmante porque se trata de um partido que entranhou uma cultura de poder, que dele beneficiou, e que o pratica ciclicamente, quando é, como agora, Governo. O que devia envergonhar os socialistas não é o peditório à militância. O que os devia fazer corar é o rombo que isto causa na sua credibilidade: um partido que quer governar o país tem de saber governar-se a si próprio. Porque se para o peditório do PS dão os militantes que entenderem, para o das contas públicas damos todos. Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço?

* Jornalista

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