Opinião

Procura-se especialista

Procura-se especialista

1. E, de repente, acordamos num país que precisa dos serviços de especialistas em políticas públicas como de pão para a boca. À duvidosa mas bem paga contratação por ajuste direto de Sérgio Figueiredo para o Ministério das Finanças, precisamente para acompanhar as políticas públicas, o Governo junta a de um pequeno exército de consultores e peritos, que vão figurar nas fileiras do Centro de Competências de Planeamento, de Políticas e de Prospetiva da Administração Pública, o PlanAPP. O nome é pomposo e o orçamento também: só em serviços de consultoria, formação e informação, serão gastos quase 12 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência, o famigerado PRR. E não estão incluídas nesta folha salarial as despesas com os pelo menos 65 funcionários já contratados. Garante o Governo que, apesar de centralizada, esta estrutura envidará esforços para canalizar o nível de especialização em benefício de todas as regiões. Mas com tanta gente debruçada sobre estudos, corremos o risco de gastar o dinheiro todo na radiografia e quase nenhum no doente.

2. Ora, o doente são as pessoas. E, em matéria de políticas públicas, o que interessa mesmo definir é o plano que, findo o torpor estival das férias, o Governo vai apresentar para mitigar os efeitos, já a partir de setembro, da escalada inflacionista no bolso dos portugueses. Tendo por base o resto da Europa, não se preveem soluções inventivas: baixar os impostos (quais? e haverá novos sobre os grandes lucros?), aumentar as prestações sociais para as famílias desfavorecidas, e criar incentivos que permitam às empresas acomodar os elevados custos com energia. O inverno vai bater-nos à porta com violência. Espera-se, por isso, que a prioridade seja a de encontrar respostas claras para manter os empregos da maioria dos portugueses e não criar expedientes nublosos que garantam emprego a apenas meia dúzia.

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*Diretor-adjunto

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