Opinião

#tatuados

De há um tempo a esta parte, tenho-me interrogado sobre as razões que levam um ser humano a decorar mais de metade do corpo com tatuagens. Membros inferiores e superiores; nalguns casos extremos, o pescoço e as maçãs do rosto, num desfile de tinta intracutânea que obriga o hospedeiro a andar o ano todo de camisola de alças e corsários, no sentido de rentabilizar o investimento, mesmo correndo o risco de apanhar um resfriado na mudança de estação. Raúl Meireles era, não há muito tempo, um quadro vivo da excentricidade, mas hoje arrisca-se a ser vulgarizado se passar uma tarde num shopping. É certo que as tatuagens estão pelo preço da chuva e que é mais seguro ter dois mil ou três mil euros empenhados nas costas e nos tornozelos com imagens de Jesus ou dos filhos do que no banco, mas há limites que foram ultrapassados. Os adolescentes e os jovens adultos têm a atenuante da imaturidade, mas o que me custa a entender é haver tanta mulher entradota a tatuar golfinhos, rosas e figuras tribais em zonas do corpo para onde, em condições normais, não quereríamos olhar. Sem dinheiro para um descapotável, as tatuagens são a nova crise da meia-idade.

* Jornalista

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