O Jogo ao Vivo

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Pedro Marques Lopes

Uma entrevista cristalina

Ler insinuações, difamações e julgamentos de caráter não é propriamente algo que deixe alguém bem-disposto. No entanto, o comentador Rui Santos, numa entrevista que deu ao jornal "i", quase conseguia ser divertido. É-o, aliás, muitas vezes quando veste o fato de grande salvador do futebol, da ética e dos bons costumes. Sejamos justos, não é só divertido, vê-lo a vender a sua mais do que pretensiosa superioridade moral é de ir às lágrimas. A sua opinião é bacteriologicamente pura, a dos outros é refém de esquemas maléficos; o SOS racismo diz que Rui Santos fez declarações "inequivocamente racistas e xenófobas", mas ele acha que há é uma tramoia para esconder problemas financeiros; o Rodolfo só merece consideração se disser o que o homem que vive do futebol mas passa a vida a dizer mal dele e a declarar o que ele acha certo - só quem não conhece o capitão pode pensar que alguém o pode condicionar, o grave é que o comentador sabe isso.

Pedro Marques Lopes

Liderar

Um presidente de um clube que estava a três pontos do líder da competição, faltando ainda seis jogos muito difíceis para o seu adversário, que ia jogar a final da taça do seu país, com um treinador que lhe deu um título absolutamente inesperado (respirar fundo) na época anterior, desata a fazer telefonemas a um técnico que tinha tido sucesso nessa mesma agremiação. As negociações aparecem em todos os órgãos de comunicação social e não há nem um desmentido nem uma declaração de apoio inequívoco ao treinador e ao grupo de trabalho.

Pedro Marques Lopes

O futebol é demasiado importante

Lembro-me muitas vezes de uma frase do ministro da guerra francês durante a Primeira Grande Guerra. Dizia George Clemenceau que a guerra é demasiado importante para ser deixada aos militares. A verdade é que a frase, apesar de famosa, pouco mais contém que um lugar comum, pode-se dizer o mesmo da saúde pública, da educação ou de outra qualquer atividade que precise de enquadramento político. No fundo quer-se dizer que quem trata da árvore não deve cuidar da floresta.

Pedro Marques Lopes

O passado vai invejar o futuro

Senti um enorme orgulho quando cheguei ao Dragão Arena para votar e me pus na fila que passava a entrada do Metro. É verdade que se olharmos para o número de sócios poderia ter votado mais gente, como é verdade que há poucos associados para uma massa associativa tão grande (de que é que está à espera para se fazer sócio do clube que ama, caro leitor?), mas não só estamos no meio de uma pandemia como a realidade do nosso clube mudou e é urgente mudar os estatutos para que votar se torne mais simples e mais próximo. Seja como for, votou muita gente e o balanço a fazer das eleições para os órgãos sociais do FC Porto só pode ser: um enorme sucesso de organização, um exemplo de extraordinária vitalidade do clube e a exibição de que o clube da democracia só vive bem com a democracia.

Pedro Marques Lopes

O covil

Na sequência de um artigo de João Miguel Tavares, onde este me inclui numa espécie de conspiração em que há uma "mistura explosiva de negócios obscuros, trocas de favores, redes de influência e fanatismo" e lembra que fui sócio do ano em 2018 e que defendo o F. C. Porto onde quer que esteja (obrigado, tenho muito orgulho disso), um recente colunista do Expresso, Luís Aguiar-Conraria, numa troca de tweets, aplaude o colega do Público, fala do futebol como um covil e diz que eu faço parte da "procissão".