Brasão abençoado

Haja vergonha na cara

No supermercado que frequento trabalham muitas pessoas. Vidas duras. Ganham mal, moram longe do local de trabalho e passam muito tempo nos transportes públicos. São de todas as idades. Com a pandemia, aos sacrifícios rotineiros juntaram-se os riscos.

Além das viagens em autocarros, barcos e comboios com muita gente, passam o dia num ambiente fechado frequentado por milhares de pessoas de todas as idades, doentes ou não, cuidadosas ou não.

Nestes últimos dias, lembrei-me várias vezes desta gente. Lembrei-me quando soube da estupidez de obrigar os jogadores a ficar em confinamento até ao fim da época - a gente mais testada do país. Lembrei-me ao ver mui doutos comentadores preocupadíssimos com a saúde dos atletas. Lembrei-me quando li os comentários infelizes e despropositados de três jogadores do meu clube - quando vão para o campo e se lesionam a responsabilidade é de quem? Da DGS?

É gozar com a cara dos milhares de trabalhadores de supermercados que têm de frequentar transportes públicos e zonas cheias de gente por meia dúzia de euros e para homens e mulheres em grupos de risco ou não que têm de ganhar a vida, ouvir pessoas a discutir se deve o campeonato começar devido aos possíveis riscos para a saúde dos atletas.

Estamos a falar de rapazes no pico da sua saúde, que têm médicos 24 horas por dia, com alimentação cuidada, pertencentes a grupos em que não há um único caso de problemas associados ao vírus. Comparar o risco do regresso do futebol com qualquer outra atividade é um insulto à inteligência e às pessoas que, de facto, correm riscos.

A subir

Não fosse o "Jornal de Notícias" e "O Jogo" e as declarações de Mário Figueiredo era como se não tivessem acontecido. O silêncio ensurdecedor e cúmplice sobre a gravidade das acusações continua da parte da Imprensa de Lisboa e dos organismos do futebol.

A descer

Apesar de ter ficado provado para qualquer pessoa de boa-fé que a escolha de Cláudia Santos é um ato anti-F. C. Porto, Fernando Gomes manteve a escolha. Há, porém, uma vantagem nisto: fica, de uma vez por todas, clara a agenda do presidente da FPF.

*Adepto do F. C. Porto